* Victor Nogueira
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
.
Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VN
* Victor Nogueira
* Victor Nogueira
2021 03 07 O que distingue Cavaco de Marcelo? Um subiu a pulso desde o Poço de Bole e Queima até à Quinta da Coelha, outro nasceu em berço de ouro. Um tem pouco verniz e é carrancudo, outro tem muita "finesse" e beijoqueirice.
Mas ambos têm de comum elogiarem a "obra" de Passes de Coelho suportada pela troika e lhe darem a mão, em louva-deles. Ambos são muito devotos da Santa Madre Igreja e da "Senhora".
Ambos prefeririam um governo todo poderoso capitaneado pelo "seu" PSD de que foram presidentes, ambos não gostam da solução dum governo do PS viabilizado pelo PCP, Bloco e Verdes. Mas não gostando, Marcelo engole o sapo à espera de melhores dias.
Com maior arte e manha, Marcelo mantém o governo do PS em lume brando, atiçando para que o seu PSD e adjacências encontrem líderes que empolguem as ma$$a$, face ao declínio do CDS, ao falhanço da Aliança do Santana Lopes e ao descalabro desse trauliteiro Rui Rio.
Para além de pretender ser o Presidente-Rei Sol absolutista, na linhagem de D. Sebastião Marcelo poderia ter como cognome "O Recauchutador-mor"?
Até lá, com ou sem purgante para engolir sapos, Marcelo vai mantendo o governo do PS em lume brando., orando por um novo ciclo político com alterne duradouro e forte à direita e actualização de protagonistas, para enganarem o pagode, tirando simultaneamente o tapete a Rui Rio no PSD e a Tó Costa no PS.
Entretanto, já novos protagonistas ressurgem das catacumbas, a Iniciativa Liberal e o Chega de Ventura , hipotéticos novos sustentáculos do PPD/PSD?
Nunca entendi bem a planta do edifício. Aqui morámos no 2º andar dto do º 21, num apartamento com enormes assoalhadas e tectos abobadados.
Os do lado esquerdo, onde moravam a Isabel e o António Ricardo, professores como nós, eram trabalhados em estuque. Ambos se situavam ao cimo duma íngreme escadaria, de dois lances, no topo da qual uma cancela permitia que os miúdos (a Susana e o Daniel Filipe) brincassem no vasto átrio. Para aceder ao da direita subia-se um pequeno degrau e entrávamos num minúsculo átrio; defronte, a cozinha, à esquerda, um pequeno pátio com a despensa e, à direita, subindo uns degraus, ficava uma sala interior, com um pequeno nicho, onde preparávamos as lições e estava a biblioteca. Novos degraus permitiam o acesso a um vasto piso com enormes assoalhadas: a sala de estar, o nosso quarto e a casa de banho. Novas escadas para a traseira conduziam-nos ao quarto da Mariazinha e da Susana.
No nosso quarto uma porta permitia o acesso a um segundo pátio, por uma larga escadaria de dois lances, escadaria que servia também para arrumos. Neste segundo e soalheiro terraço se estendia a roupa para secar e dele se avistavam os telhados de Évora, as torres sineiras da Igreja de Santo Antão e a Rua da Moeda.
No princípio eram deveras incomodativas as badaladas da Igreja, assinalando as horas e os quartos, mas passado algum tempo já não dávamos por isso. Os< nossos amigos admiravam-se da Susana não dar quedas numa casa com tantas escadinhas, mas a verdade é que ela depressa se habituou, subindo e descendo desassombradamente, no princípio gatinhando. Foi nesta casa que aprendeu a andar sozinha.
Gostava imenso desta casa, situada a dois passos da Praça do Giraldo, mas hoje seria um entrave subir aquela íngreme escadaria ajoujado de compras e circular pelo seu interior subindo e descendo escadinhas incessantemente.
No rés do chão do edifício, com janelas de guilhotina por onde entrava um frio gélido e cortante, situava-se um estabelecimento comercial e no 1º andar dois escritórios, um dos quais do Banco Espírito Santo.
O prédio pertencia ao Santana, que tinha uma casa de móveis mais abaixo; no princípio não queria alugar-nos, mas fui falar com a nora, casada com um filho dele (ambos tinham sido meus colegas de curso no ISESE) e lá se resolveu a dar-nos o aluguer.
2021 03 06 CAVACO REGRESSA DAS CATACUMBAS ELOGIANDO O SEU PUPILO PASSES DE COELHO, O MESSIAS DE MASSAMÁ
~~~~~~~~~~
Antigo Presidente voltou a uma iniciativa do PSD para deixar muitas críticas ao Governo PS e à "geringonça": "impunidade", "abusos", com "sinais de uma democracia amordaçada". Mas deixou também recados - ou sugestões - ao seu partido e um elogio a um ex-líder: Passos Coelho
(...)
Cavaco Silva diz ter aberto "uma excepção à minha resistência de participar em eventos partidários", mas aproveitou a dita excepção para deixar um ataque sem rodeios a António Costa e à "geringonça" - não deixando de dar conselhos ao atual PSD - como ignorar o Chega e concentrar todo o discurso na crítica ao PS -, assim como elogiar um (só um) dos líderes do partido que lhe sucederam: Pedro Passos Coelho.
(...)
Portugal é hoje "uma democracia imperfeita", com "sinais de uma democracia amordaçada" - disse, alargando as críticas ao jornalismo. "Escrevi-o e reitero: episódios recentes fazem crer que um dos riscos para qualidade da democracia é do jornalismo se alhear e deixar de se submeter aos princípios isenção".
(...)
Mais: Rui Rio deve, para Cavaco, "denunciar erros e omissões, falhas de respeito, tentativas de amordaçar a democracia", assim como apresentar "políticas alternativas adequadas a melhorar o bem-estar - mas nunca recorrendo a insultos, não recusando o diálogo. A luta processa-se entre adversários, nunca entre inimigos".
2018 03 06 Gabriel Garcia Marquez é um dos escritores, que li na totalidade ou quase totalidade e que mistura o “fantástico” nas histórias d(um)a família ou de famílias ao longo do tempo, como em “Cem Anos de Solidão”, ou de personagens individualmente considerados. Neste um pouco ao jeito de John Steinbeck, mais “realista" como em “As Vinhas da Ira” ou “A Leste do Paraíso”, mas cujas linhas deliciosas iniciais de “Pastagens do Céu” remetem também um pouco para o mesmo registo de Gabriel Garcia.
2013 03 05 Remuneração de Ricardo Salgado desce 31% para 552 mil euros em 2012
Que fazem homens destes senão "jogar" com os dinheiros dos depositantes e, quando a especulação lhes corre mal, transformam a dívida privada em dívida pública paga com os impostos e o saque ao pagode e depois ainda "€$peku£am" e ganham milhões, no ano seguinte, como o bpi do senhor ulrich ?
Isto para não falar nas autoestradas e nos estádios de futebol e nas parcerias público privadas feitas à sua medida para embolsarem os lucros e nos passarem os prejuízos, com injecções de capital pagas com o nosso dinheiro. E para não falar nos bens e propriedades em off-shores.
https://www.publico.pt/2013/03/04/economia/noticia/remuneracao-de-ricardo-salgado-desce-31-para-552-mil-euros-em-2012-1586602
* Victor Nogueira
Há muitos anos, ao princípio da noite e depois duma cansativa reunião em Lisboa que durara todo o dia, ia perguntando a mim mesmo enquanto conduzia, se ia directo a Setúbal ou se iria a Paço de Arcos para jantar com a minha mãe: "vou", "não vou", admirado com o facto de não haver engarrafamentos aquela hora nem pára-arranca.
Resolvo ir a Paço de Arcos e ao desfazer uma curva para entrar na A5 deparo-me com uma fila de automóveis. Guino para a esquerda mas a velocidade e o escasso espaço de manobra não evitam a colisão da dianteira direita do Fiesta com a traseira esquerda do último carro da fila que vai embater no da frente, com chaparia a saltar.
Saímos dos respectivos carros e o condutor dum deles diz-me qualquer coisa como "ai o meu carro novo que comprei na semana passada", respondo-lhe que ele ainda tinha sorte, que a minha seguradora lhe pagaria o conserto mas não do meu. Preenchemos as declarações amigáveis, um outro automobilista ajudou-me a desencravar parcialmente o meu guarda-lamas dianteiro direito e lá vou jantar a Paço de Arcos seguindo depois para Setúbal.
No dia seguinte logo de manhã rumo para a oficina, devagarinho para evitar mais acidentes, com pouco angulo de manobra na direcção para a esquerda. Eis senão quando, quase a chegar ao destino surge inesperadamente um automóvel largado à minha direita. Guino para a esquerda, manobra limitada pelo guarda-lamas amolgado na véspera. Se o outro virasse à direita ter-se-ia evitado o embate, Mas não. A jovem condutora larga as mãos do volantes e leva-las à cabeça e vai embater no malfadado guarda-lamas da véspera.
Ela sai do carro exclamando “Fui eu que fiz isto tudo?” Respondo-lhe que a maior parte do estrago fora da véspera, que está com sorte, pois vinha da direita e eu tinha um sinal de ceder prioridade, pois se não fosse assim pagar-me-ia o conserto como se tivesse sido apenas ela a embater.
Preenchemos a declaração amigável, o Rui comenta que levo tudo numa brincadeira e respondo-lhe que de nada adiantava chatear-me. Mas durante algum tempo tive de forçar-me a continuar a conduzir pois via-me sempre a embater no carro da frente com chaparia a saltar.
* Victor Nogueira
.eu bem sei que talvez já tenham lido, mas .... os dois primeiros correspondem à expressão dum sentir e a uma escrita como que espontânea. O 3º (Um rio enche a casa com o murmúrio de mil candeias) e o da 02 (gota a gota) são fruto duma intelectualização, dum pensar a frio com a busca das metáforas, um trabalho de artesão mas não de artista. O 3º da presente nota é uma reelaboração dum outro texto, declaração de amor e sobre a ausência, que eu transformara "alargara" num hino à "Liberdade" mas que quem lê considera um texto de amor e não um texto político. Considero tentativas falhadas quer o "gota a gota", quer "um rio ..." - crítico desapiedado de mim mesmo que sou.
Escritas e dispersas ao vento, as palavras deixam de
pertencer ao autor e passam a ser vistas e lidas com os olhos e lábios e o
pensar de quem as decifra e tenta descodificar.
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SEDUÇÃO
O desejo é uma nave
..............penetrando na imensidão destes dias.
Gomo a gomo
desfolhamos o cetim
do nosso corpo.
O ar está pleno
.......deste cheiro agridoce
................almiscarado.
Procuramos a sombra
................fulva e ardente
................fresca
do sol
num murmúrio crescente e
........................ondulante
em vagas sucessivas
no chão arenoso
a macieza da boca
................no seio do ventre
os lábios traçando
..............o mapa do desejo
o sabor da cisterna
.............da viagem dos sentidos
.............ao fim do mundo
nos corredores
a ....ventura
por nós talhada
Descoberta inventada
sem sombras nem limites
.....................(des) enredada
No fragor da tempestade
a serenidade da calmaria
nesta cidadela
......................."sem muros
........................nem ameias"
1989.Março.09 - Setúbal
_________
Sedento nas tuas
mãos esguias e belas
Sedento nas tuas mãos esguias e belas
aqui
na estrada da vida
à beira do caminho
de pé nesta tarde de verão
louco pássaro
.....................de asas partidas
busco a carícia do sorriso
..........o quente murmúrio da voz
..........o frémito das nossas mãos
..........o suave perfume do corpo apetecido
..........turbilhão incandescente sufocante
..........rio mar profundo
sigo ...com os dedos e os lábios o teu contorno
..........aqui os olhos ....a boca ....o lóbulo das orelhas
..........o andar decidido
..........os seios pequenos e firmes
além a ondulante seara
........a curva suave
........o moreno vale
fresco límpido agridoce refrigério
1985.Julho.28 - Setúbal
__________________
Um rio enche
a casa com o murmúrio de mil candeias
Um rio enche a casa com o murmúrio de mil candeias
enquanto
............ondulados
............compassados
............rítmicos
ouço
sinto
e reconheço
............os teus passos
Em silêncio junto as palavras
.................percorro o teu corpo
.................flexível e moreno
Rio, choro e bailo contigo
quando assomas à porta e
..........busco o veludo dos teus lábios e do teu rosto.
bebendo o vinho da esperança
Tudo tem agora outra qualidade
..........................a qualidade do trigo em flor
...........................................da brisa
incandescente
...........................................da sombra
refrescante
...........................................do sol sem ardor
e no ar
o fragor e e a calma silente da tempestade liberta e
amainada
Setúbal 1989 / 2000
*************
Esta é a versão inicial (1989) do último escrito, que
prefiro sem dúvida alguma
1989.06.07
Setúbal
* Victor Nogueira
.gota a gota irrompe o desejo
* Victor Nogueira
2018 03 01 O ADEUS DE PEDRO DIABISTA
1. - Para além de ir para uma universidade da privada dar o seu contributo para tecnoformatar a geração mais qualificada de que ele, Pepe Sócrates e Relvas são excelsos exemplos, poderá recorrer quer à protecção de Ângelo Correia ou de Cavaco, quer ao Ilídio Pinho, antigo patrão, que disse que as empresas dele tinham sempre as portas abertas para o pedrocas, primo do outro que anda por aí, estilo "menino-guerreiro".
2. - Outros, nem para porteiro o quereriam, se não não teria estado este tempo todo alapado em S. Bento à Lapa, à espera do diabo, deitando para o rio um negrão estendal de minas e armadilhas
O Marcelo, mais fino que o Cavaco, sabia ao que ia, mas com muito mais afecto e popularuchicidade, elogiou Portas (em parte incerta a tratar da vida como o Relvas) e o Pedrocas (ingrato para com a mão de Marcelo). Nas próximas eleições ou o PS terá maioria absoluta, ou se puder tentará governar com outros apoios de bancada que não seja a do PCP.
A chamada geringonça foi um balão de oxigénio ao PS português, permitindo-lhe evitar ou adiar o que sucedeu aos partidos da internacional socialista europeia, varridos do mapa.
2014 03 01 Num Carnaval pegado andamos quase todos nóe e deve ser por isso, para não rebentarmos de alegria, que esCavaco tentou e passes de coelho (quase) conseguiu ... proibir o feriado, com prejuízo para os festejos e para a economia dos municípios.
Esta gente do porrete e do escavaco nem válvulas de escape permite, tudo de castigo, por andarem a gastar acima das posses - coitadinha da banca e dos milionários - vá, a crise é grande, é preciso "trabucar", reanimar as exportações, tudo na miséria, nada de economias e folguedos de carnaval - tudo de cinzas coberto deve ficar para maior glória do grã-cifrão.
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2014 03 01 Nunca apreciei o Carnaval que era tema de redacções do estilo O Carnaval, A Primavera ou "Que queres ser quando fores grande" Não me recordo de alguma vez ter-me mascarado, quanto muito apenas uma caraça. Nas redacções lá vinha a inevitável referência "à carne a vala", da folia que antecedia a quaresma das cinzas até à 6ª Feira Santa - em que se não podia ouvir música, antes meditar na Paixão e Morte de Cristo, Nosso Senhor que ressuscitaria em grande no Domingo de Páscoa, aquele em que pelo menos uma vez no ano se devia comungar.
Mas retornando ao Carnaval, sempre me causou uma certa perplexidade que em Portugal, sociedade machista de pegas, toiros, engates e mulheres submissas ao estilo faduncho do "Não Venhas Tarde", de Carlos Ramos, homens pretensamente másculos se disfarçassem de mulher. Do que recordo do Carnaval são as criancinhas mascaradas e das brincadeiras estúpidas e de mau-gosto, como atirar farinha, ovos ou urina para cima dos transeuntes. Farinha que em Luanda tb se lançava na rua ou para dentro dos automóveis, obrigando-nos a fecha os vidros e trancar as portas Em Luanda havia tb corsos carnavalescos indígenas, animados e multicolores, que foram proibidos após o início da guerra colonial em 1961.
Aqui há uns anos ao deambular por Oeiras com uma amiga minha, o passeio terminou inesperadamente com o arremesso por pretensos foliões de ovos que a deixaram a escorrer pela cara e fato claras e gemas. Enfim ....
Embora os houvesse, não me lembro de haver corsos carnavalescos em Portugal antes do 25 de Abril como hoje existem, uma caricata e tola imitação do Brasil, onde nesta altura está sol e faz calor - como em Luanda, enquanto que em Portugal está frio e muitas vezes chove, obrigando as "corsantes" quase despidas a tiritarem e baterem os dentes.
Querer transpor para o inverno festejos como se no trópico sul estivéssemos é aquilo a que se poderá chamar uma mera "macaquice de imitação"
Na foto do Centro de Informação e Turismo de Angola, dos anos 60 do passado milénio - Carnaval em Luanda
2014 03 01 assurancetourix é o bardo incompreendido na aldeia dos irredutíveis gauleses, xenófobos, misóginos, broncos, que à cultura preferem a pancadaria e a javardice dos banquetes de machos à volta do lume. Pobres javalis.
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2014 03 01 São tão engraçados os coelhos, com as suas grandes orelhas, enormes os olhos, o narizito em constante vibração, andando aos pulinhos em zig-zag.
Não confundir os coelhos com os coelhones, torpes, de pernas portas, galifões com passes de coelho por lebre sorvendo os cifrões para os pat(r)ões, que nos fazem em estilhas com um prato de lentilhas.
2014 03 01 por aqui, na margem direita do sado, ainda não chove, apenas o céu está de cinza claro e o frio trespassa até aos ossos. E faz silêncio, no alto da torre no cimo duma encosta
Mais um Carnaval molhado, quase sem mascarados - salvo algumas crianças, e os corsos talvez fiquem aguados, com as barbies em cima dos "carros" do cortejo, de biquini e tiritando estoicamente de frio e sem guarda-.chuvas.
Foto victor nogueira Sombras na Feira de Santiago em Setúbal
* Victor Noguera
És a clara madrugada ?
És a clara madrugada ? Por mais que eu tente esquecer-te o meu entendimento persiste em esperar e lutar por ti. Mesmo que eu cerre os meus olhos posso sentir-te ao meu lado e renascer com o calor do teu abraço. Vives nos meus sonhos, desde sempre. O teu sorriso tem a cor da maresia, é uma brisa na planície, o rumor dum riacho ... És a esperança em que moramos e de que me alimento. Que dia será aquele em que despertarmos deste plúmbeo sono de cinzas e negro de fumo ? (2014.02.07)
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neste canto
em quebranto
canto
teu encanto
sem espanto
por nós suspiro
expiro
inspiro
e transpiro
busco
ao lusco-fusco
de verdade
a liberdade
do amor
sem dor
nem andor
mas
com fulgor
o beijo
em solfejo
é desejo
de abraço
sem laço
nem embaraço
Paço de Arcos 2014.02.08
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sem o teu gesto que as liberte
naufragando
as palavras prendem-se
nos intervalos do
silêncio
sem brilho
nem fulgor
Paço de Arcos, 2014.02.09
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Entre o ser e o nada
Calámos as palavras e prendemos os gestos, perante o nada que é a vida, breve instante, fósforo que brilha com maior ou menor intensidade, refulgente ou não, e logo se apaga. No vazio de ti, ausência eterna em que persistes enquanto de ti nos lembramos, resta uma paleta mesclada de sons e de cores, alegres ou na sombra, de cambiantes mil. Sem resposta ficarão as perguntas que não foram feitas, a vida que não vivemos ao escolher este ou aquele destino nas múltiplas encruzilhadas. Restam a saudade e a imaginação, entre o nascer e o morrer, entre o tudo e o nada. Ah! Ao pôr o pé na estrada da vida, viandante, a resposta é só uma: “caminhante, caminhando se faz o caminho.” Não há outra saída entre o ser e o nada!
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num deserto
de flores esmaecidas
sôfregas
trôpegas
atoladas de silêncio
as palavras
e o gesto
Paço de Arcos 2014.02.09
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são de mágoas as águas
véus e anáguas
com palavras lavras
são sábios os lábios
de carmim ou jasmim
nos teus olhos, aos molhos,
mergulho sem engulho
pobre poema, um teorema
cuja rima não rema ?
em carreirinha maneirinha
dor, andor, amor, fervor, calor ?
ou rio frio ?
Paço de Arcos 2014.02.10
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sorrio
no fio
do rio
e
canto
Paço de Arcos 2014.02.09
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o sorriso
suave
e
leve
muito leve
enigma
Paço de Arcos 2014.02.09
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página a página te desfolhas
pétala a pétala te recrias
gota a gota d'alegrias
dia e noite em teu olhar
Paço de Arcos 2014.02.11
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o silêncio sonoro das palavras
apenas
e
só
silabadas
enca(n)deadas
Paço de Arcos 2014.02.11
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à janela
bagos de centeio
o frio
e
a chuva
de permeio
Paço de Arcos 2014.02.12
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A cor das palavras (re)colhidas em Fevereiro
12 de Fevereiro de 2014 às 1:31
Há palavras e palavras, há emoções e sensações. Há a riqueza e a pobreza: a riqueza das tuas palavras e a pobreza das minhas palavras gastas. Seria uma eterna repetição dizer o quanto me encanta o que escreves, o quanto me encantam os sentimentos que nelas espelhas e reflectes
texto completo em
https://www.facebook.com/notes/victor-nogueira/a-cor-das-palavras-recolhidas-em-fevereiro/10151971044574436
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chovem pedras
na cidade
sufocam os campos
é de trevas a idade
à luz trémula
dos pirilampos
tempo de senhores
erva daninha nos entre-folhos
noite de estupores
enricando aos molhos
vela ensonada
a tua sentinela
calada
até que despertes
da noit'-e-dia
paço de arcos 2014.02.14
~~~~~~~~
o pantanal ... dos cifrões
é um festival
o pantanal ... dos cifrões
é o maralhal
comprado por tostões
o lamaçal do laranjal
preciosa rosa
do centro casas adentro
são os portas de pernas tortas
os loureiros da banca rendeiros
os limas das pantomimas
os santanas de pantanas
os mendes que mal sentes
os cavacos por patacos
os coelhos de joelhos
os seguros perjuros
os pinóquios em solilóquios
a manela de janela
o victor do gamancio
o guta com erres
os mário-olás com ares
o marcelo a martelo
os sarmentos dos sacramentos
os durões furões
a tropa fandanga
com a chraranga
... e os patrões
dos milhões
e o povo ?
no ovo chocando a serpente
da ditadura
que perdura
na confusão
sem tostão
a burguesia
pequena ou média
que ria
do operário sem salário
simples percalço do pé descalço.
quem vence
e convence
no caldo da cultura:
a revolução ?
Paço Arcos 2014.02.16
~~~~~~~~
marcham silenciosos
temerosos
atados
e
maltratados
sem voz
sois vós
caminham
alinhados
e
calados
silenciados
alinham
e
definham
temerosos
sem voz
sois vós
Paço de Arcos 2014.02.19
~~~~~~~~
assume o lume
assume
o lume
e
solta
a
revolta
a
canção
da
revolução
Paço de Arcos 2014.02.19
~~~~~~~~
sem lamentos
com a tristeza
em riste
cantas
mas não espantas
o escarmento
lamentas
o teu
sofrimento
as rimas
lastimas
em pensamento
sem talento
bolorento o pão
avaro
Paço de Arcos 2014.02.19
~~~~~~~~
de escárnio e maldizer
a cantiga
pobre
a rapariga
estéril a espiga
Paço de Arcos 2014.02.19
~~~~~~~~
cantiga d'amigo
semtigo
sem abrigo
sentido ceitil
sem til
sentada
pasmada
de castigo
Paço de Arcos 2014.02.19
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faz sol
em
dó ré mi
à sombra
arrefece
ao sol
não aquece
luminoso o dia
que esfria
de cinza
a claridade
Setúbal 2014.02.21
~~~~~~~~
claro o dia
que esfria
a
luminosidade
de
cinzas
Setúbal 2014.02.21
~~~~~~~~
grão a grão
aumenta o cifrão
e
o milhão
do patrão
é
a canção
do ladrão
(des)graças
do sono teu
nosso o pesadelo
Setúbal 2014.02.21
~~~~~~~~
mobiliza a dor
da fome
com ardor
acende o lume
do perfume
liquida o estrume
Setúbal 2014.02.21
~~~~~~~~
o operário
com mau solário
o camponês
sem a rês
e a classe média
que ria
pequena ou média burguesia
com azia
do capital
a razia
é fatal ?
Setúbal 2014.02.21
~~~~~~~~
mar-oceano a planície
monte maior
ou
menor
ilhas de pedra e cal
polvilhéus
imenso o calor
imersa a dor
da secura
na corredoura
o frio da telha vã
de verde a seara
em aberto campo
de vermelho o horizonte
ígnea a colheita
o magma
Setúbal 2014.02.22
~~~~~~~~
sinuoso é o rio
lento
ao relento
temeroso
é o tempo
encolhido
não há sol
nem luar
à beira-mar
em espuma
se desfazem
as ondas
na margem
do vento
sem assento
em turbilhão
Setúbal 2014 02 21
~~~~~~~~
gato que brincas na rua
gato
que brincas
na rua
a beira-mar
ao luar
não é minha
mas
é
tua
a liberdade
de
vadiar
setúbal 2014.02.23
~~~~~~~~
nús
com pús
purulentos
e
macilentos
na rede
com sede
enleados
e
oleados
capacho
são
ou não ?
setúbal 2014.02.23
~~~~~~~~
o gato
não é pato pató
ao ri- sol
não esfria
aquece
e
não arrefece
lampeiro
no
boieiro
Setúbal 2014.02.23
~~~~~~~~
triste traste
triste
traste
all-quebrado
e
cansado
vegetando
na ínsula
setúbal 2014.02.24
~~~~~~~~
tiritas
de medo
ou
de frio
não sei
e
não rio
setúbal 2014.02.24
~~~~~~~~
o cansaço
do baraço
às braçadas
é meu
teu
o
abraço ?
setúbal 2014.02.24
~~~~~~~~
com mil olhos
e
dez mil bocas em cadeia
na verdade
sem vida
de interditos
benditos ou malditos
é
a cidade
entre dentes
a serpente
em surdina
setúbal 2012.02.24
~~~~~~~~
em casa minha
os
livros são como coelhos
e de joelhos
estou
do chão ao tecto
não em adorações
de andores
mas em arrumações
com dores
tarefa infinda
dia-a-dia
na berlinda
pum catrapum
setúbal 2014.02.24
~~~~~~~~
abril
das águas mil
em maio
no funil
otário
na boca larga
o povo
'tormentado
no estreito
canal
em cornucópia
os cifrões
crescente
de bolsa
a(ba)rrotando
os salafrários
e
os
seus patrões
setúbal 2014.02.25
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na festança
da abastança
o povo
com apneia
e a classe média
pequena ou média burguesia
com azia
todos proletários
os otários
ricos
os mafarricos
setúbal 2014.02.25
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hoje não falamos de flores
hoje não falamos
de flores
nem de amores
ardores
ou andores
hoje falamos
dos nós
sem voz
lassos de embaraços
hoje falamos
de nós
(quase) todos
sem pauta
e
a malta
sem acordo
desafinando
e
desfiando
setúbal, 2014.02.24
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não esperes
nem desesperes
na esfera
escuta
não é nossa
a lei deles
a da submissão
revolve
a
revolta
e
canta
no ovo
contra o polvo
firma
e
afirma
a revolução
setúbal 2014.02.26
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presa e represa
presa
e
represa
nas teias
não ateias
nem incendeias
receias
setúbal 2014.02.26
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o mistério do saltério
sentes
e
no ministério
mentes
psalmo a palmo
as palavras
em tiras
tiaras
das mentiras
ao rés do chão
sem pão nem a vinha
advinha
a
adivinha
em sentido
neste sentido
que sentido
o sentido
sem ti
sentado
pasmado
setúbal 2014.02.27
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trincas as palavras
trincas
as palavras
as tintas
retintas
e brincas
lavrando
e
lavando
as palavras
setúbal 2014.02.27
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trancas as palavras
trancas
as palavras
o olhar
sem
vaguear
nem
vadiar
brancas
ou
negras
as sílabas
o sílabus
setúbal 2014.02.27
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nú esteiro
esteio
sem receio
mordes
e
remordes
o seio
avulta
a vulva
encoberta
setúbal 2014.02.27
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na janela aberta
encoberta
estás
coberta
de véus
sem a descoberta
tecida de receios
de medos
sem arremedos
setúbal 2017.02.27
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no recreio
enleada
mordes
e
remordes
a
imaginação
desenfreada
sem
o
freio
do
receio
a ventura
sem cobertura ?
setúbal 2014.02.27
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na pousada
da poesia
as palavras
são
os sonhos
encobertos
do leitor
e
do
autor
anelo
anel de papel
pesadelo
rimando
ou remando
com
flores
ardores
andores
e
dores
ou nada
rimando
e
remando
ou
naufragando
setúbal 2014.02.27
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à lareira
ponteias
na braseira
com areia
não ateias
a teia
nem incendeias
remedeias
setúbal 2014.02.27
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pétala a pétala
pétala
a
pétala
silabando
e
rimando
é tecido
o poema
teorema
cálido
ou
ventoso
setúbal 2014.02.27
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não há entre nós palavras belas
não há
entre nós
palavras belas
nem versos
apenas reversos
pois não escutas
o que escrevo
escrevo
como se
entre o meu cérebro
que comanda
e as minhas mãos
que executam
dedilhando
eu não estivesse
mas sim a máquina
em que me transformo
e
tu
não entendes
o meu cansaço
é o da máquina
que não sou
e tu insistes
na minha desumanização
setúbal 2014.02.27
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são ocas as tuas palavras
são ocas
as
tuas
palavras
balofas
balelas
sem velas
desfolhadas
são de areia
a tua determinação
uma
efabulação
brlham talvez
com a leveza
etérea
do pechisbeque
uma borboleta
que volteia
e
não
aquece
a
chama
os teus mimos
não são arrimos
mas pantominas
setúbal 2014.02.28
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calamos as palavras
e morremos
sem as dizermos
resguardamos os gestos
dos afectos
e partimos sem
os
partilharmos
em semi-breve
enleamos de nós
a meia-voz
a vida
vivida
e
morremos
sem cantarmos
setúbal 2014.02.28
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com teu receio
de
permeio
as flores
fenecem
nas
dores
e
o
cais
deserto
de naus
setúbal 2014.02.28-