Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

.

Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

inFaceLook ou inFaceLock ! - PALAVRAS DE ONTEM PARA TODOS OS DIAS

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

inFaceLook ou inFaceLock !


terra-vista-da-lua

 inFaceLook ou inFaceLock !

por Victor Nogueira a Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011 às 10:30

* Victor Nogueira
LOL. Isto do inFaceLook ou inFaceLock é um vazio de zapinggs e "amizades" ou entusiasmos na maioria como fogos fátuos, estralejantes e tudo muito light e pela rama como a efémera espuma dos dias !

                        Ser amigo é colorido presente
                        Ao darmos nossa mão, sem maldade,
                        Mantendo a vera luminosidade
                        Do silêncio ou do verbo assente.

                        Na tarde calma, serena, luzente,
                        Ou de noite, dia sem claridade,
                        É uma dádiva, felicidade,
                        Esta da vigília ser não dormente.

                        Amigos têm vária feição:
                        Dão-nos sua tristeza ou alegria,
                        Compartilhando bons e maus momentos.

                        Velho, novo, mulher, homem, bem são;
                        Na estrada e no dia-a-dia
                        Nem sempre atentos, prontos, nos tormentos.
.
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1989.09.03 (3)
[1989.12.22]
Setúbal

                               Ser amigo ou amante

                               Terra construída
                               feita                   de
                                                          portas que se não fecham
                                                          janelas que se abrem
                                                                          rasgadas ao sol
                                                                          á   chuva
                                                          ou nas noites do lobisomem
                                                                       plenilúnio da sereia
                                                                       a sombra refrescante
                                                                       brisa     no campo sem       fronteiras

                                Presente
                               a presença
                                                          atenta
                                                         necessária
                                                         livre
                               resguardada
                               sem muros nem barreiras


Abril de 1995

Rien que la verité



Eu sou eu
tu és tu
ele é ele
ela é ela
tudo o resto é ilusão e/ou
ingénua boa vontade




Victor Manuel



Que é a verdade?




1971.JAN.26
Évora




Neste jogo de palavras
e de gestos comedidos
Aqui
neste canto da cidade
preso à roda do leme
em sonhos
que sonho em ti
busco o passado que não fui
no futuro que não serei


suspenso do teu andar


Arde-me o sangue nas veias
neste fogo vento suão
murmúrio do teu sorriso
verde brisa na planura
fresca do teu olhar



Setúbal 1985.07.23


No beiral da minha porta
Veloz mal vieste a poisar
E debicando na horta
Tu partiste sem cuidar.

 1992.03
SETUBAL

CANÇAO DE RODA


Uma semente
Dentro da semente
Uma seara
Para lá da seara
Uma barca


Uma rapariga
Para lá da rapariga
Uma floresta
Em torno da floresta
O sol e o mar


Um homem
Dentro do homem
Uma criança
Para lá da criança
uma aguia


Uma leoa
Dentro da leoa
Uma águia
Para lá da águia
Uma sereia ao luar de Agosto


Uma semente
Para lá da semente
Uma rapariga
Em torno da rapariga
O sol e o mar


Um homem
Dentro do homem
Uma leoa
Para lá da leoa
Uma barca aparelhada


19.11·94
SETUBAL


CALENDÁRIO



Uma cidade
No meio da cidade
Uma rua
No cimo da rua
Uma casa
Dentro da casa
Uma flor
Em torno da flor
Um jardim
Perfeito um amor
girassol
malmequer
muito
pouco
nada
Uma pétala
No meio da pétala
Um sorriso
Em torno do sorriso
Uma lágrima
Dentro da lágrima
Uma saudade
água e
cloreto de sódio
Uma palavra
No meio da palavra
Uma luz
Para lá da luz
Uma sombra
No meio da sombra
Um deserto
Uma cisterna de pedra e
areia
Muitas palavras
No meio das palavras
Uma alvorada alvoreada na planície

Para lá da planície uma árvore
Em torno da árvore
Uma rosa verde papoila.

1989.Novembro.03 - Setúbal

Dizem que os livros são os nossos melhores e maiores amigos.
Mas os livros não se sentam á nossa beira,
nem tem olhos, nem sorriem
nem nos abraçam,
nem connosco passeiam pela rua, pelo campo.
Nada podemos dar aos livros
senão as letras dos nossos pensamento ou
um pouco de nós
 para que chegue aos outros.

Os livros têm os olhos que nós temos.
E os seus lábios são os nossos lábios.
Porque se os livros tivessem olhos
e lábios e mãos e dedos
seriam talvez pessoas
mas nunca livros.

Évora
1969.Março.19


SEM A VENTURA

Tu foste a esperança
em que mergulharam meus dias sequiosos
Esperança feita de pequenos nadas
Um sorriso
Uma palavra amiga
Um gesto de alegria!
Mil pássaros nasceram nos teus lábios!
Mas hoje
hoje
escuto nas tuas mãos
o silêncio dos campos destruídos
enquanto um navio sulca
lento
um deserto de flores esmaecidas!

1988.01.04
Setúbal


Sorriste e
na tua voz
os pássaros vieram de longe
pensando que era madrugada!

1992.03.10
Setúbal


Rio canto e choro
    e todos os dias respiro o ar que me rodeia
    com a limitação dos grandes sonhos
    imaginações feitas de nada
    Sustenho os gestos e as palavras
    ou deixo que elas nasçam
    rodeados de mil cautelas
    sem o desassombro da aventura e do risco plenos
    Resguardo os gestos e
    lanço as palavras ao vento
    para que um novo dia surja
    no horizonte
    mas na orla das ondas vem a ressaca
    de estar aqui
    de olhos secos
    silencioso
    como a esfinge no deserto
    Rasgo o peito e as palavras
    e nem uma gota de sangue cai
    dentro de mim
    Abro o riso e as mãos
    as aves passam de longe e
    os rios correm
    silenciosamente para o mar
    As vozes dos marinheiros passam no horizonte
    enquanto sonho e luto e te procuro
    mergulhado na multidão que está e permanece
    para além de mim
    .
    .
    FIM 1989
7. E João Bimbelo caminhava pelos caminhos da vida em busca de coisa nenhuma. Pensava nela por vezes com uma grande ternura e acordava no silêncio da madrugada com um desejo sufocante do ouvir o seu sorriso, ver a sua voz, sentir a carícia do seu corpo de mulher apetecida. Mas os seus dedos e os seus lábios não a encontravam e a madrugada era um poço sem fundo e o tempo cada vez mais curto. .
.
Nas suas longas caminhadas João por vezes entrevia uma janela aberta, uma porta mal fechada, uma luz para além da curva da estrada. E o coração de João vestia-se com os melhores fatos e o seu andar tornava-se leve e fresco e as palavras eram um rio a cantar. Mas era tudo uma ilusão, porque a imaginação dos homens não tem limites e os gestos e as palavras ora são límpidos como cristal translúcido, ora um cristal multifacetado, ora um espelho baço de mil imagens e sons, mesmo se adornado com as cores do arco íris.
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E João procurava Aquela Cujo Nome Se Não Desvenda, volúvel como o vento, contrastante como o dia é da noite sem luar, e perante o seu silêncio e as suas fugas em redondel, ficava João sem norte como navio no mar alto em dia de tempestade, como frágil pardal de asas cortadas sem nada de águia altaneira, como cana agitada pela mais leve brisa sem a solidez do roble centenário. Estados de alma que se não perdoam a guerreiros vestidos com suas armaduras que nunca devem despir, mesmo se cansados da guerra, mesmo quando perdidos ou cavalgando no meio das quentes areias do deserto (porque os cavaleiros não andam pelos gelados desertos polares).
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E João procurava de novo pôr a máscara, erguer as muralhas, tapar as fendas e os interstícios nela abertos por onde entravam em golfadas crescentes a fragilidade, o desamparo e a tristeza que afogam o coração mesmo dos mais fortes se não mudarem de rumo em busca de portos e marés onde os dias sejam tudo menos uma noite cinzenta, fria, triste e sem esperança.

E DE REPENTE É COMO SE TODAS AS ESTRELAS SE APAGASSEM

     De repente é como se todas as estrelas se apagassem ficando o cansaço e a velha vontade, por vezes renascida, de partir para longe, de apagar tudo, como se fosse possível recomeçar tudo de novo, rasgando o que escrevera, lixo para lançar aos quatro ventos, porque não ria, nem chorava, nem tinha uma pedra no lugar do sentir pelo qual se deixara envolver.
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         Estava assim porque o tinha considerado seu igual e confiara nele e com ele procurara falar sem reservas. Parecia contudo evidente que ele jogava à  defesa e que as palavras seriam para ele fogo de artificio e manobra de diversão por detrás das quais se escondia e protegia. Assim o julgava, apesar de poder considerar-se má leitora dos factos e dos gestos, como outrora o fora de outras pessoas, nuns casos porque se ficara pelas palavras, noutros, como no presente, por ter procurado "ler” para além delas.
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    Talvez a considerassem presumida porque em determinada altura do seu  relacionamento não acreditara em tudo o que ele lhe dizia, relativamente a ela  própria e aos sentimentos que afirmava nutrir por ela: seria uma presunção diferente da que ele tinha, porque ela perante ele se descobrira, talvez cedo e desajeitadamente demais, talvez porque tivesse lido nele aquilo que desejara ler. E assim, conhecendo-lhe os sentimentos dela, seria levado a pensar que lhe bastaria dizer quem era para que ela largasse o trabalho ou interrompesse a reunião para atendê-lo ao telefone, fosse do emprego, fosse da casa onde morava.   Era simultaneamente verdade e mentira afirmar que pouco ou nada lhe  interessava saber se ele estivera, estava ou algum dia poderia vir a estar "enamorado” por ela. Era de presumir que fosse adulto, crescido, responsável; então porque não haveria de acreditar no que ele lhe dizia e deixar-se de "poesias" e de imaginações!?
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     Recordava-o por vezes com uma grande ternura mesclada de inquietação e  desassossego. Lembrava-se das primeiras vezes em que o vira, quando procurava  conhecê-lo, e de como se encantara por ele. Recordava-se das vezes em que pretendera envolvê-lo numa longa e doce caricia ou o desejara como um homem pode ser desejado por uma mulher. Como esquecer a rede em que se deixara enlear, que ele muitas vezes parecera também tecer e outras rompera? Recordava o seu jeito gaiato, sorridente e brincalhão, sem esquecer os desencontros e as vezes em que ele disparatara ou faltara sem dizer água vai, apesar da importância que ela, parvamente, dera à sua presença e companhia.
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     Ele dizia-se amante da liberdade e no entanto não poucas vezes desrespeitara a dela, deixando-a a falar sozinha, com a refeição fria ou o fim de semana “estragado". Ele dissera preocupar-se com o efeito que os seus actos e as suas palavras poderiam provocar nos outros, por recear e não querer magoá‑los, mas não poucas vezes a magoara, sem que ela soubesse verdadeiramente distinguir quando falava a sério ou na brincadeira ou se estava apenas desatento por feitio ou preocupação. Não podia esquecer-se das vezes em que ele lhe entrara pela casa dentro, enchendo o ar de poalha dourada e refrescante, libertando a sua fragilidade, como ave inquieta na brisa que ela era.
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    Recordava-se disso e de muitas coisas e palavras, que gostaria tivessem (o)corrido ou acontecido de outro modo. E lembrava-se de algumas cartas, poucas, duas ou três, que lhe escrevera, arrumadas no fundo duma qualquer gaveta, porque resolvera deixar sedimentar as palavras, que deste modo, com o decorrer do tempo, haviam perdido o sentido e a oportunidade. Pensava ser natural que os homens e as mulheres procurassem uns nos outros amizade, ternura e carinho, considerava natural que os homens e as mulheres se sentissem mutuamente atraídos por serem de sexos diferentes ou que, se fosse caso disso, pudessem ir para a cama um com o outro, dum modo saudável, sem táximetro e tabela de preços consoante o serviço.
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    Mas nem sempre acontecia o que deveria ser natural, não poucas vezes porque muitas e variadas razões levam a renegar, condicionar, proibir e "regulamentar" a sexualidade e as suas manifestações duma forma que nada tinha a ver com a expressão saudável da vida.
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      E fora como uma expressão de vida e um cântico de alegria que ela o considerara, de forma aberta. No entanto e talvez demasiado cedo partira, quando em vão por ele esperara, para logo de seguida considerar o amor um bem que suaviza, quando alguém afaga a nossa vida, o que lhe dissera inopinadamente. 
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      Há na vida um tempo e uma ocasião para tudo e para cada coisa, segundo expressava um belo poema judaico, e por isso talvez as palavras e os sentimentos dela tivessem sido expressos demasiado cedo.
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      Entendia ser natural que o desejasse como natural seria que outros homens a desejassem, mas não ele, que até era um homem que sabia "provocar" as mulheres, que a "provocara" não poucas vezes, embora dum modo que na altura lhe parecera "natural", sem maldade.
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       Contudo, o passar dos dias e os "desentendimentos” pelo que talvez fosse ou tivesse sido por ambos desejado fazia com que ela pensasse já não ser natural que ele "provocasse" e amesquinhasse (consciente e deliberadamente ou não) quem "provocara" (por ela não o entender), apenas porque teria tido com a mulher com quem vivera experiências, isto é, vivências, humilhantes ou perversas, gerando situações que ambos não haviam conseguido ultrapassar (supondo que ele desejaria ultrapassá-las), por preconceito ou falta de simplicidade ou por utilizarem gestos e códigos diferentes. Situações que não haviam logrado superar em busca da amizade, do amor, da ternura, do prazer, da paz ...
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         É um facto que fora por ele seduzida e que, ao considerá-lo seu igual, procurara sobretudo a sua amizade. Mas tendo ambos códigos e chaves de leitura diferentes, só veramente poderiam saber quem eram através da convivência, para descobrir o que estava para lá das categorias redutoras que (des)ajudavam ao entendimento das pessoas. Porque ele falava nas mulheres dum modo simplista, cómodo, mas irreal (são todas iguais, logo são todas tratadas da mesma maneira); outros falariam nos homens (são todos iguais, andam todos ao mesmo, logo devem ser todos tratados da mesma maneira).
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    E no entanto, por temperamento, vivência e "leitura", ela sabia que há  homens e mulheres, com características comuns, é certo, mas que para além disso cada pessoa tem as suas características próprias, especificas, da sua cultura e  classe social; para lá das "cómodas” categorias e definições redutoras ela procurava o que existe de próprio, de pessoal, fosse no Zacarias ou na Carlota, fosse na Maria ou no Manel, independentemente de se não empenhar em "convencer”  as pessoas, o que por vezes em nada facilitava a sua relação com outrem.
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     Falava com as gentes, é certo, mas não como apóstolo; buscava aquelas com as quais se identificava, afastava-se das que nada tinham em comum com ela naquilo que reputava essencial, aceitava e tolerava as outras.
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      Sendo assim, é natural que tenha pensado e lhe tenha dito "gosto deste  homem, gosto dos filhos dele, postaria de com ele viver e compartilhar o dia-a-dia". É natural que ele lhe respondesse ter outros objectivos prioritários na vida e que ela estava à margem deles, apesar dela o considerar seu igual e procurar respeitar a sua liberdade. Admitia contudo que algumas vezes os seus gestos e atitudes para com ele pudessem parecer desmenti-la, apesar de serem também condicionados pelos gestos e atitudes dele. Admitia pois que ele quisesse provar que sozinho poderia triunfar, sem a solidariedade dos outros, e que ela o desejava "controlar", a ele que estava farto de prisões, pressões e bofetões; por isso talvez tivesse sido erradamente levado a pensar para consigo mesmo que o paleio é sempre igual e que no princípio são tudo rosas e arco-íris, para lá dos quais surgem os espinhos e as tempestades e os ventos ciclónicos.
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    Tudo bem, continuaria ela a pensar, ninguém a mandara ser apressada, sem  dar tempo ao tempo, embora depois os erros se possam a vir a pagar raro, face à brevidade da vida e à impaciência dos mortais. É natural que os sonhos" não sejam os mesmos para todos, é "natural" que para algumas pessoas fique a nostalgia dos sonhos que se sonharam mas não viveram ou falharam. Afinal os sonhos nem sempre são pesadelos e por isso podem também  ser a expressão dos anseios com vista à concretização, talvez por vezes dum modo errado e desajustado, dos desejos de uma vida diferente, melhor, mais cheia e saborosa.
.
    Como a que ela pensara encontrar nele e retribuir-lhe!

Setúbal 1990.03.19/20          

(Victor Nogueira, sobre uma epístola de S. Sebastião aos gentios, em 4 de Outubro de 1989, a D.)







Foto victor nogueira- Sesimbra


Foto victor Nogueira - Fábrica de Pólvora de Barcarena (Oeiras)

  • Alice Coelho Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
    Mas, enquanto houver amizade,
    Faremos as pazes de novo.


    Pode ser que um dia o tempo passe...
    Mas, se a amizade permanecer,
    Um de outro se há-de lembrar.

    Pode ser que um dia nos afastemos...
    Mas, se formos amigos de verdade,
    A amizade nos reaproximará.

    Pode ser que um dia não mais existamos...
    Mas, se ainda sobrar amizade,
    Nasceremos de novo, um para o outro.

    Pode ser que um dia tudo acabe...
    Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
    Cada vez de forma diferente.
    Sendo único e inesquecível cada momento
    Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

    Há duas formas para viver a sua vida:
    Uma é acreditar que não existe milagre.
    A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

    Albert Einstein
    1
  • Ana Albuquerque Nesta geografia do tempo, espaços afastados uns dos outros mas que se cruzam ao virar de cada emoção...
    Muito bonito, tudo. Gostei de ler.
    Um abraço
    1

um registo em 4 de outubro


 4 de outubro · 

foto victor nogueira - igreja de s. joão baptista, em vila do conde (2019.10.03)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

a poesia e os textos em 3 de outubro

* Victor Nogueira
~
HÁ 4 ANOS




11 de maio de 2014
NUOVO"

No ovo
o povo
a ova
nova
e
o polvo
O mote
o bote
o lote
a lota
e
a luta
A sorte
forte
A porta
aporta
com a morte
da bota
A ementa
e
a
pimenta:
ensopado de enguias
e lulas guisadas
ou coelho com “potas”
e cavacas das caldas.


HÁ 8 ANOS

3 de outubro de 2011
Nada posso comentar a não ser que trago comigo o peso de todas as pessoas que tenho conhecido, sobretudo daquelas que na realidade e não apenas virtualmente corresponderam e me acompanharam em momentos mais ou menos breves da minha vida, de todas as terras, estradas e calçadas que tenho percorrido, das de quem, para além da escrita, conheço a voz única no meio de todas as outras, ou sentido a mão no ombro, a carícia no rosto ou nos cabelos, o ajeitar do meu kispo, o gesto físico de amizade, carinho, afecto e solidariedade verdadeiras. De quem não me cerrou portas e janelas. Tudo o resto são apenas palavras, poeira, ilusão e solidão ! Cada vez maiores ! (Victor Nogueira)



3 de outubro de 2011 às 20:44 ·
"Por mais que morram, o número de tolos é infinito, e os inteligentes não querem morrer. Mas a morte não poupaa ninguém." Hans Hellmuth Kirst in "Os Lobos"

Maria Jorgete Teixeira Quer dizer que a esperança é uma coisa muito frágil, nestes tempos é mesmo!

Victor Barroso Nogueira Este romance passa-se no tempo do nacional socialismo na Alemanha. É uma denúncia da sua desumanidade. Aliás, tenho uma brochura editada nessa altura pelos serviços de propagada nazi, com discursos de Hitler, empresários alemães e ministros das finanças onde está escrito no branco o que se pretendia e está-se concretizando - uma Alemanha acima de todos os restantes povos, subjugados como sub-humanos.

https://www.facebook.com/vicnog.na.rede/posts/2099049841218

HÁ 9 ANOS

3 de outubro de 2010 às 03:18 ·
O silêncio não tem nós, é uma planície imensa, umas vezes seca, outras verdejante, mas por vezes a garganta sente os ditos como nozes duras de ... roer ! (VN)

3 de outubro de 2010 às 14:00 ·
Chove, faz frio e o tempo está muito nublado.
Dia bom para estar à lareira que não tenho, a ver as chamas esvoaçarem, como em Goios (Barcelos), na aldeia do meu avô materno, quando lá íamos no inverno.

3 de outubro de 2010
É noite e vou acabar de arrumar a secção de poesia da minha biblioteca ! Não vale a pena estar aqui à espera de Godot ou de Godota 


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

10 livros que ao longo de décadas são muitos mais que mel ou 100 aurores








Oh Isabel ! Escolher dez obras em largos milhares espalhadas por décadas de peregrinação é "obra". Que critério definir ? O autor ? O tema ? Como esquecer ou deixar de referir Fernão Lopes ou Fernão Mendes Pinto ou as "cantigas de amigo" ou os policiais de Simenon ? Ou a banda desenhada ? Ou Eugénio de Andrade e Alda Lara ou a lírica de Camões ? É admissível esquecer Jorge Amado e o "Luuanda" de Luandino Vieira ? O teatro e a história ou obras de sociologia e de psicologia ou de economia e politica ficam de lado ? E a antologia dos poetas das colónias editada pela Casa dos Estudantes do Império ?
Uma miscelânea quando muitas delas estão sepultas nas brumas do tempo e da memória ? Olha, repesco/repenso estas desde os meus tempos de menino e moço, mas muitas outras listas e muitos outros autores e temas poderiam ser registados nesta nota. Ficam estes, todos eles me "marcaram" e são larguíssimas centenas o que nela deveriam figurar.
Eu não gosto de "cadeias", mas retribuo a gentileza da Isabel, cujas regras são "faz uma lista de 10 livros que, de uma maneira ou de outra a(o) marcaram a ti ou na tua vida. Enfim, não pensem de mais e não pensem em termos de o livro ser "bom" ou "mau". Depois escolhe 10 amigos (incluindo eu, que verei a tua lista) e passa-lhes o desafio". Onde está amigos deverá ler-se "amigos e amigas".
Aqui fica pois uma de muitas listas que englobariam inúmeros outros autores,e temas, o que daria um rol quase quilométrico LOL
Tolstoi – Guerra e Paz
Anne Frank - Diário
Edmundo de Amicis - Coração
Hans Helmut Kirst – 08-15
Eça de Queiroz – Cartas de Inglaterra
Shakespeare - Sonetos
Stoetzel – Psicologia Social
Manuel Alegre – Praça da Canção
Maxence Van Der Meersch – Corpos e Almas
Pepetela – O Quase Fim do Mundo
Harper Lee - Não Matem a Cotovia
Thomas Hugues - Tom Brown na Escola
Budd Schulberg - O que faz Correr Sammy?

BÓNUS
Ariano Suassuna – Auto da Compadecida
Saramago – Levantados do Chão
William L. Shirer - Ascensão e Queda do III Steve Reich
António Reis - Poemas Quotidianos
Raymond Chandler - Um Imenso Adeus
Leon Uris - Exodus
T.H. Lawrence - Os 7 Pilares da Sabedoria
Alexandre Dumas - Os 3 Mosqueteiros
Daniel Defoe - Robinson Crusoe
Álvaro de Campos - Poesia
Simone de Beauvvoir - O 2º Sexo






Victor Barroso Nogueira está com Maria Márcia Marques e 19 outras pessoas.
26 de setembro de 2014
Oh Isabel ! Escolher dez obras em largos milhares espalhadas por décadas de peregrinação é "obra". Que critério definir ? O autor ? O tema ? Como esquecer ou deixar de referir Fernão Lopes ou Fernão Mendes Pinto ou as "cantigas de amigo" ou os policiais de Simenon ? Ou a banda desenhada ? Ou Eugénio de Andrade e Alda Lara ou a lírica de Camões ? É admissível esquecer Jorge Amado e o "Luuanda" de Luandino Vieira ? O teatro e a história ou obras de sociologia e de psicologia ou de economia e politica ficam de lado ? E a antologia dos poetas das colónias editada pela Casa dos Estudantes do Império ?
Uma miscelânea quando muitas delas estão sepultas nas brumas do tempo e da memória ? Olha, repesco/repenso estas desde os meus tempos de menino e moço, mas muitas outras listas e muitos outros autores e temas poderiam ser registados nesta nota. Ficam estes, todos eles me "marcaram" e são larguíssimas centenas o que nela deveriam figurar.
Eu não gosto de "cadeias", mas retribuo a gentileza da Isabel, cujas regras são "faz uma lista de 10 livros que, de uma maneira ou de outra a(o) marcaram a ti ou na tua vida. Enfim, não pensem de mais e não pensem em termos de o livro ser "bom" ou "mau". Depois escolhe 10 amigos (incluindo eu, que verei a tua lista) e passa-lhes o desafio". Onde está amigos deverá ler-se "amigos e amigas".
Aqui fica pois uma de muitas listas que englobariam inúmeros outros autores,e temas, o que daria um rol quase quilométrico LOL
Tolstoi – Guerra e Paz
Anne Frank - Diário
Edmundo de Amicis - Coração
Hans Helmut Kirst – 08-15
Eça de Queiroz – Cartas de Inglaterra
Shakespeare - Sonetos
Stoetzel – Psicologia Social
Manuel Alegre – Praça da Canção
Maxence Van Der Meersch – Corpos e Almas
Pepetela – O Quase Fim do Mundo

BÓNUS
Ariano Suassuna – Auto da Compadecida
Saramago – Levantados do Chão
William L. Shirer - Ascensão e Queda do III Steve Reich
António Reis - Poemas Quotidianos
Raymond Chandler - Um Imenso Adeus
Leon Uris - Exodus
T.H. Lawrence - Os 7 Pilares da Sabedoria
Alexandre Dumas - Os 3 Mosqueteiros
Daniel Defoe - Robinson Crusoe
Álvaro de Campos - Poesia
Simone de Beauvvoir - O 2º Sexo
Harper Lee - Não Matem a Cotovia
Thomas Hugues - Tom Brown na Escola
Budd Schulberg - O que faz Correr Sammy?Bye Bye

Isabel Maria Obrigado Victor,também gosto de um bom policial,bjs
Maria João De Sousa É o meu quarto ou quinto desafio, Victor Barroso Nogueira... vou buscar-te a minha lista e deixo-ta aqui mesmo! :) "A Maria José Cantarinha desafiou, eu aceitei o desafioe aqui vão os meus Top Ten da literatura, por ordem completamente aleatória: uns porque li, reli e “tresli”, outros porque foram leituras que, até hoje, não esqueci.
Os Bichos – Miguel Torga
Diário - “ “
O Apelo da Selva – Jack London
Spartacus – Howard Fast
O Caminho das Aves – José Casanova
Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago
Picasso, Vida e Obra – Antonina Valentim
Lust of Life – Irving Stone
Um Socialista Insociável – Bernard Shaw
Os Subterrâneos da Liberdade – Jorge Amado
Maria Lisete Almeida Grata Amigo Victor Nogueira pela sua inclusão. Abraço e um óptimo fim de semana! :)
Graca Maria Teixeira Pinto " Coração" de Edmundo de Amicis! ..O meu pai ofereceu-mo quando fiz 11 anos.Gostei tanto!  Em seguida, descobri numa estante em casa dos meus avós maternos," Nossa Senhora de Paris." Li-o todo .Não sei bem se percebi metade até porque era daqueles de capa castanha, c/ ortografia antiga. Mas hoje pasmo.O que a nossa geração lia! Ah, e desencantei o Eça escondido numa gaveta de roupa branca, não fossem os meninos da casa abrirem os olhos para o mundo dos adultos..."O primo Basílio"., claro. Obrigada,Victor Nogueira pela partilha e o que despoletou...:)
Victor Barroso Nogueira Graca Maria Antunes Ah! Na minha meninice e adolescência o livro "escondido" era a Velhice do Padre Eterno, do Guerra Junqueiro, mas cujo esconderijo descobri. Mas poderia citar colecções que devorava,desde a "Vampiro" e a "Xis" até à Condessa de Segur e a Biblioteca dos Rapazes passando pelo Salgari, Júlio Verne, Paul Féval e Alexandre Dumas ou as Obras Escolhidas de Autores Escolhidos (Dickens, Walter Scott), da Romano Torres, ou a Colecção Dois Mundos, da Livros do Brasil, com o Steinbeck à cabeça, sem esquecer o Caldwell e a Colecção Século XX e os Livros de Bolso da Europa América ou as obras de Mark Twain ou Não Matem a Cotovia, de Harper Lee ou a Banda Desenhada (Senhor Doutor, Mosquito, Mundo de Aventuras, Cavaleiro Andante e os suplementos dominicais infantis Pim Pam Pum (dum jornal do Porto enviado pelo meu avô Luís) e Bambi (Provincia de Angola) e a Joaninha (da revista Eva) ou uma revista de fotonovelas brasileira (O Grande Hotel) :-) Bjos
Isabel Maria É isso !na minha lista mencionei Adeus Quinze Anos não pk o livro seja bom ou mau só sei que o li na minha adolescência e ficou para sempre marcado o meu fascínio pelos Países Nórdicos.
Graca Maria Teixeira Pinto Beijo, Victor Nogueira, por tudo e todos que me vieram à memória ao ler a tua lista de livros. :(  Além desses de que falas, nós meninas, líamos a Berthe Bernage Com ela . vivemos as alegrias e tristezas da Brigitte solteira, casada, mãmã..Com ela viajámos pela Île de France, os Campos Elíseos, conhecemos a Normandia .. .:) :)
Carlos Rodrigues Bom, eu não sei se é o mesmo "Inquérito Escolar", ao qual já respondi e passei há uma semana atrás , onde o pedido era o mesmo, começado pelo nosso Amigo Francisco Cunha. Volto a responder, mas tentarei não me repetir. A Des(ordem ) é arbitrária: 1º - Dom Quixote de la Mancha - Miguel de Cervantes; 2º Os Capitães da Areia - Jorge Amado, 3º Fanga - Alves Redol ; 4º O Crime do Padre Amaro ; 5º Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway ; 6º Human Bondage - Sommerset Maugham;7º O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa 8º La critique de la Raison Pure - Emmanuel Kant ; 9º O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa 10º; A Caverna - José de Saramago.
Carlos Rodrigues Está aí o Livro do Desassossego duas vezes, substituir por O Rei Leão de Shakespeare.
Margarida Piloto Garcia Fui convidada para isto por várias pessoas. Tal como tu também não gosto de cadeias mas ao contrário de ti tive de pedir desculpa porque não a consegui fazer mesmo. Impossível escolher apenas uma lista de 10.
em vez de obras :-) E a minha lista ultrapassa os dez, pois nos comentário cito ... autores. o que implica muito mais obras
Victor Barroso Nogueira Oh Carlos Rodrigues Isto é como as cerejas. Temos muitas leituras comuns. Para além do Processo Histórico, do Zamora, um livro que me mostrou que homens e mulheres serão sempre "incompreensíveis" entre si foi de Simone de Beauvoir "Le Deuxieme Sex". Foram tb determinantes as obras dum osiquiatra marxista, Erich Fromm, ou os livros de Martha Harnecker, entre outros marxistas. :-) 
Carlos Rodrigues Seria muito dificil Vitor, não termos livros em comum, mas a maior dificuldade é o "Inquérito Escolar " não referir temas ou categorias, pois há livros que de lêem como um entretimento ou por curiosidade intelectual, outros para aprendizagem ou experiências da vida ou ainda porque já lá estavam em casa quando nós nascemos, Claro que, por exemplo, um que lemos de certeza e nem tu nem eu mencionamos foi o " Das Capital ", não é ? :)
Carlos Rodrigues E os do Pitigrilli também não mencionei...:)
Carlos Rodrigues Fizeste bem, que o Pigrilli para além de sexualmente incerto, até chamava nomes à mãe, mas como era proibido, nos meus tempos, era uma sensação de vitória sobre o Sistema, consegui-lo por portas e travessas...:)
Carlos Rodrigues A mensagem de cima é para o meu Amigo Vitor Nogueira.
Victor Barroso Nogueira Ah Carlos Rodriges. O humor é tb uma secção especial: Mark Twain, Eça, Ricardo Araújo Pereira, Giovannino Guareschi (D. Camilo e Pepone), Artur Portela Filho,Gervásio Lobato, José Cardoso Pires (e o seu "Dinossauro Exclentíssimo), Jorge Amado entre muitos outros, para além duma revista que havia, chamada "Cara Alegre", sem esquecer uma parte do Miguel Esteves Cardoso, qd ele era mais jovem. Mas humor, humor, há na Banda Desenhada e isso daria um tratado.
Bem, o melhor é parar com o rosário, mencionando pela sua inventividade o Mia Couto.
Não li o Capital todo, apenas uma versão condensada editada por uma célebre editora brasileira, a Zahar, com outros livros por ela publicados que me serviram de apoio em muitas das cadeiras no "Colégio" da Sé, em évoraburgomedieval.
Quanto aos livros de leitura comuns é natural que haja não poucos, quer na secção da política, quer na do neo-realismo :-P
Flora Vasconcelos Vocês precisam mesmo de ler Pedro Páramo , de Juan Rulfo . Um editor norte - americano gozou à minha custa , mas quando lhe mandei a foto de uma edição em inglês , que ele conseguiu arranjar , não lhe chegaram as palavras para elogios . Eu fiquei grudada àquela história e àquela escrita , como não me acontecia já nem lembro quando .
Carlos Rodrigues É evidente que poderíamos ficar por aqui dias a inumerar tanta coisa, até realmente no campo do humor ou na ironia ( sabes que o próprio Saramago foi desafiado a escrever um livro onde não fosse irónico ) e todos os que ai mencionas e muito bem o foram de facto, há coisas a que é muito difícil escapar, a ironia é uma coisa muito séria, mas quando a ironia se transforma, como em muitas comédias Hollyoodescas, em pura palhaçada já é outra coisa e aí realmente o Cara Alegre da minha meninice era muito superior.
Carlos Rodrigues Florinha estás com tudo. Gabriel Garcia Marques e Luís Borges foram muito influenciados por Juan Rulfo. Depois de o lerem, nunca mais foram os mesmos. Juan Preciado encontra uma Cidade Fantasma, quando vai visitar a sua mãe. No primeiro ano vendeu apenas 2 000 exemplares, nos E.U. creio eu, 4 anos depois a Edição Inglesa fez desse livro um best-seller, estou certo ou estou errado ? Xiiis.
Carlos Rodrigues Vitor, claro que é King Lear, por causa das bandas desenhadas e desenhos animados saíu-me Rei Leão, está reposta a verdade :)
Victor Barroso Nogueira O Rei Leão e os Dinossauros são os grandes "amores" do meu neto Francisco Já vi o Rei Leão não sei quantas vezes, embora muitíssimo menos que ele Carlos Rodrigues LOL
Clara Roque Esteves Meus lindos, eu já dei para esse peditório, com muito prazer. tal como o Vítor argumenta, é muito difícil elencar 10 livros quando se tem as nossas idades e percursos de vidas semelhantes. Óbvio que leríamos mais ou menos os mesmos autores. Olhei a lista do Vítor Victor Barroso Nogueira. Um ou dois não me são familiares, outros não integraram a lista dos mais mais mais. Mas acho muito interessante o " jogo".
Carlos Rodrigues A minha Neta mais velhinha a Debora também e desenha tudo de cor e salteado, mas agora os /as mais novas passaram para a Violeta, não há nada a fazer, são os temps...:)
Maria Jorgete Teixeira muitos subscrevo, também
Maria Rodrigues    (Y)



  • domingo, 25 de agosto de 2019

    * Rui Pedro

    Pai de XX

    ...e um ocasional cócó.

    Hoje a Dona Gertrudes faz dois meses. Na verdade, daqui a pouco. Julgo aliás, que por esta hora, nesse dia acontecido há 2 meses ainda não sabia ser esse o dia. Mas foi. Provavelmente por esta hora ainda planeava passar a noite a ver TV com pão, mas afinal passei a noite com umas enfermeiras a perguntar se eu queria despir a t-shirt para fazer o contacto pele com pele. E assim foi uma das primeiras experiências da Dona Gertrudes, uns cinco minutos depois de nascer. A cara enfiada nas tetas, gordas, peludas e suadas do pai.

    As enfermeiras foram embora e o Orangotango ficou sentado sozinho numa sala com sua macaquinha minúscula de gorro branco ensanguentado. Pensou "e agora?!..."

    E agora passaram 2 meses.

    quarta-feira, 10 de julho de 2019

    auto.retrato e 2 poemas, um de Victor Nogueira e outro de Camões

    * Victor Nogueira



    auto.retrato em 2018.07.10 e 2 poemas, um de Victor Nogueira e outro de Camões

    * Victor Nogueira

    ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE

    Nada tenho para te ofertar
    Que saiba: joias, discoteca, dança;
    No tempo busco vária temperança
    que também vos dão bom estimar.

    Um com outro bem quiz enredar,
    Mas parece ser outra a contradança
    Que muda a tua dor em festança,
    Por aqui me deixando a vaguear.

    Lembro a tua lábia, seio moreno,
    Tua feição que muito me agradou;
    A pele, doce ardor despertou
    Que na barca me fez vogar, sereno,

    Porém não está o meu coração pleno
    De alegria, que por vós soou:
    Nem grã Camões ou milionário sou
    Para contigo navegar, no Reno.

    Erros meus, má fortuna, amor ardente,
    Não fazem da jornada bom soneto
    Nem do navegante melhor "gineto"
    Pois em ti está meu pensar, descontente'

    Assim na Luísa Todi jazente,
    Vogando entre o lume e o espeto,
    Bem vivo, com meu bom ou mau "aspêto"
    Buscando tua razão e paz, somente.
    .

    1989.Setembro.10 - Setúbal
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    * Luís de Camões
    .
    Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente
    .
    .
    Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
    Em minha perdição se conjuraram;
    Os erros e a Fortuna sobejaram,
    Que para mim bastava Amor somente.

    Tudo passei; mas tenho tão presente
    A grande dor das cousas que passaram,
    Que já as frequências suas me ensinaram
    A desejos deixar de ser contente.

    Errei todo o discurso de meus anos;
    Dei causa a que a Fortuna castigasse
    As minhas mal fundadas esperanças.

    De Amor não vi senão breves enganos.
    Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
    Este meu duro Génio de vinganças!
    .
    Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"