* Victor Nogueira
emparedado
no redondel
em círculos
no circo
sem rede
parado
na parada
sem par
Setúbal 2026 08 25
~~~~~~ooo0ooo~~~~~~
Este é um poema concreto que brinca intensamente com sonoridade, forma visual e jogo de palavras — características típicas da poesia concretista brasileira (lembra o trabalho de poetas como os irmãos Campos ou Décio Pignatari).
- emparedado / redondel
- círculos / circo
- rede / parado
- parada / par
Repare como quase todas terminam ou contêm sons semelhantes (-ado, -ar, -ede/-ade), criando uma teia de ecos sonoros. Há também um encadeamento de palavras que compartilham a raiz "par/parede/parado/parada/par": empaREDado, paRAda, sem PAR. Essa recorrência sonora reforça o tema de repetição e clausura — o som "prende" o leitor da mesma forma que o sentido descreve alguém preso.
- Circularidade — redondel, círculos, circo: espaços redondos, fechados, que remetem a repetição sem saída.
- Aprisionamento/imobilidade — emparedado (murado, preso entre paredes), sem rede (sem proteção, como um artista de circo sem rede de segurança), parado, sem par (sozinho).
O verso "sem rede" é um ponto de virada importante: evoca o artista circense que trabalha sem rede de segurança — ou seja, em risco, exposto, sem amparo — enquanto ao mesmo tempo dialoga com "parede" por proximidade sonora.
Sem comentários:
Enviar um comentário