Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)
Escrevivendo e Photoandando
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
e o meu sorriso é uma máscara que se me colou à pele
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dentro da máscara e para lá do sorriso
uma crisálida moribunda
na busca do desassombro das portas e janelas abertas
ao sol, ao vento, à maresia, ao viandante sem arnês, andarilho ou maltês ....
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na ressaca das ondas vem um país pequenino
vazio, frio e cinzento
um país de meias tintas e lantejoulas de pechisbeque
e salamaleques com mil reverências a suas "insolências"
preso a séculos de sujeição, de inquisição e de pinas maniques
com o passado como tiques
e, mesmo na penumbra, com medo da própria sombra !.
Resta-me a recusa
de não ser capacho ou mata-borrão
e a afirmação
da não sujeição!
Dói e rói esta solidão pela recusa em ser a formiga no carreiro !
Mindelo 2014.12.30
30 de dezembro de 2022
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Auto-retrato no Mindelo, em 2022 12 30 , já noite cerrada e ruidosamente ventosa. - Prontus, hoje foi dia da tosquia, pois já me incomodava a barba, áspera ao toque. Mudei também o fundo fotográfico, A estatua era do meu avô Barroso, estava no quarto da minha mãe e depois dela falecer trasladei-a para esta casa que era dele, ao lado da reprodução duma obra que presumo seja de Lima de Freitas, representando Adão e Eva, desnudos, com uma criança desvaindo os olhos, tapados. Este era do meu tio José João.
31 de dezembro de 2022·
Conteúdo partilhado com: Público
Dentro de mim ..
Dentro de mim,
ninguém por mim clama!
Sou o mono ou manipanso arrumado a um canto,
coberto de poeira, no fundo duma qualquer gaveta!
O tempo passou por mim
Com maior ou menor lentidão
E dele restam as marcas, mortalhas,
Um rast(ilh)o de pó e cinzas
Que não aquecem, arrefecem!
Sem calor nem viço a flama.
Ventoso e cinzento estava o dia
Mas de repente o vendaval amainou
E o sol descobriu, azulando a manhã.
Mas, porém, todavia, contudo …
… para lá da janela da vidraça do meu olhar
No campo verdejante
Com um renque de altaneiras árvores no horizonte,
no horizonte e no plaino abandonado ….
Um rast(ilh)o de pó e cinzas
Que não aquecem, arrefecem!
Sem a pena, com o dedilhar no teclado,
sem musa nem fusa,
resta o rasto de signos,
desemparelhadas formigas no carreiro,
sem o canto da cotovia.
Mindelo 2022 12 31
31 de dezembro de 2022
Conteúdo partilhado com: Público
Ano Novo
Vida Nova,
por amarga que seja a prova.
A trova ...
... sem andor, sem ardor, sem calor,
ao léu o povoléu,
represo na teia da ferocíssima alcateia!
Mindelo 2022 12 31
Fotos victor nogueira
31 de dezembro de 2022
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Uma brevíssima passagem para um aceno. Vivam a Vida com bom humor, amor, amizade, generosidade, alegria e fantasia, não esquecendo alguns trocos para os gastos! 🙃
30 de dezembro de 2014
31 de dezembro de 2022
Isto dos calendários e dos ciclos anuais tem que se lhe diga. Já não se diz 2023 dC (depois de Cristo) mas 2023 dEC (da era comum). Só que a era comum que se pretende impor continua a ser a Cristã/Católica Gregoriana, pois maometanos, judeus e chineses entre outros têm diferentes calendários. Tal como cada um de nós, cujo ciclo de vida inicia a contagem a partir do dia do nascimento.
Uma brevíssima passagem para um aceno. Vivam a Vida com bom humor, amor, amizade, generosidade, alegria e fantasia, não esquecendo alguns trocos para os gastos!
O CREDO DE SEMPRE - Acredito nos homens e nas mulheres, acredito na inteligência e capacidades, na igualdade apesar das diferenças. Acredito na força do pé descalço quando se libertar das amarras que o prendem. E acredito no respeito que todos devem merecer, excepto os que querem espezinhar, enganar e esmifrar o próximo para seu proveito e grandeza, mesmo que minúscula e feita de migalhas ou lentilhas, embora todos nasçamos nus e despidos e acabemos comidos pelos vermes, mesmo que embalsamados.
E com as mãos e a inteligência acredito que o pé descalço venha a ser capaz de construir um mundo com base na Liberdade, na Igualdade, na Solidariedade, na Justiça Social, na Paz e na Democracia, no respeito pela Natureza e pelo Meio-Ambiente. Sem necessidade de andar subserviente, de espinha curvada, olhos no chão e chapéu na mão com a outra estendida à Piedade e à Caridade na Esperança duma esmola de quem quer que seja, capataz, cacique, reizinho de paróquia ou patrão.
2024 12 30 / 2025 01 01
a guerra em dois autores - Victor Nogueira e Pe. António Vieira
É a guerra o monstro que ceifa a vida, de Victor Nogueira
É a guerra o monstro que ceifa a vida
Ruína as casas, viola a criança;
Velhos, novos, não fogem à matança,
No campo a seara é já perdida.
O fogo e a peste, em grande corrida,
Afastam do burgo a bela festança;
O mal, a vida e natureza alcança.
Só dos loucos pode ela ser querida.
Homens, mulheres, crianças, lutam
Por outro mundo novo construir;
Cantam rouxinóis, bem alto voam águias.
Na verde planura os cordeiros vivam;
Na festa, na eira, todos a bailar,
P'la paz lutando, sem demagogias.
setúbal 1989.09.06
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É a guerra aquele monstro (excerto), por António Vieira
(...) Começando pela desconsolação da guerra, e guerra de tantos anos, tão universal, tão interior, tão contínua: oh que temerosa desconsolação! É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema, nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos tempos e nos sacrários não está seguro. Esta era a primeira e mais viva desconsolacão que padecia Portugal no princípio deste mesmo ano.
(...) Que de tempos costuma gastar o Mundo, não digo no ajustamento de qualquer ponto de uma paz, mas só em registar e compor os cerimoniais dela! Tratados preliminares lhe chamam os políticos, mas quantos degraus se hão de subir e descer, quantas guardas se hão de romper e conquistar, antes de chegar às portas da paz, para que se fechem as de Jano? E depois de aceitas, com tanto exame de cláusulas, as plenipotências; depois de assentadas, com tantos ciúmes de autoridade, as juntas; depois de aberto o passo às que chamam conferências, e se haviam de chamar diferenças; que tempos e que eternidades são necessárias para compor os intricados e porfiados combates que ali se levantam de novo? Cada proposta é um pleito, cada dúvida uma dilação, cada conveniência uma discórdia, cada razão uma dificuldade, cada interesse um impossível, cada praça uma conquista, cada capítulo e cada cláusula dele uma batalha, e mil batalhas. Em cada palmo de terra encalha a paz, em cada gota de mar se afoga, em cada átomo de ar se suspende e pára. (...)
Pe António Vieira “Sermão Histórico e Panegírico nos Anos da Rainha D. Maria Francisca de Sabóia”
AosMensagens natalícias em Pingos do Mindelo ou Natal dos simples segue-se uma nova série de Pingos do Mindelo a caminho de 2026, com imagens geradas por AI, segundo guiões de minha autoria, e alguns poemas de outrem. Os programas de AI utiizados foram o chatGPT e o Chrome Gemini AI, este indicado pelo Rui, pois não tem limites estritos de utilização e bloqueio temporal, ao contário do primeiro. Mas agradam-me mais as ilustrações geradas pelo primeiro.
2025 12 30 Victor Nogueira chatGPT Natal dos simples take 6 e "Carta ao filho", do poeta turco Nazim Hikmet Montagem de três desenhos gerados pelo chatGPT de acordo com guiões meus.
Carta ao filho, poema de Nazim Hikmet
Não vivas sobre a terra como um estranho
Um turista no meio da natureza.
Habita o mundo como a casa do teu pai.
Crê na semente, na terra, no mar.
Mas acima de tudo crê nas pessoas.
Ama as nuvens,
as máquinas,
os livros,
mas acima de tudo ama o homem.
Sente a tristeza do ramo que murcha,
do astro que se extingue,
do animal ferido que agoniza,
mas acima de tudo
sente a tristeza e a dor das pessoas.
Alegra-te com todos os bens da terra,
com a sombra e a luz,
com as quatro estações.
Mas acima de tudo e a mãos cheias,
alegra-te com as pessoas.
Nazim Hikmet
(1902 - 1963)
Encarreguei o Gemini AI e o ChatGPT (Open AI) de ilustrarem o "Poema do homem e da esperança", também conhecido por "Reza, Maria", do poeta moçambicano José Craveirinha, As cinco primeiras imagens são do chatGPT e as restantes do Gemini. São de estilos diferentes, as primeiras mais "leves". Uma curiosidade. Os vampiros e os abutres têm um significado de rapina, esbulho. Se o chatGPT interpretou literalmente a representação dos vampiros, o Gemini fê-lo como se fossem o Conde Drácula, talvez na linha do poema de José Afonso. Também po Gemini numa das gravuras geradas fez uma representação mais literal do poema de José Craveirinha. As restantes seguiram o meu guião.
"Poema do homem e da esperança", também conhecido por "Reza, Maria", do poeta moçambicano José Craveirinha,
Suam no trabalho as curvadas bestas
E não são bestas, são homens, Maria!
Corre-se a pontapé os cães na fome dos ossos
E não são cães, são homens, Maria!
Pisam-se as pedras na raiva dos tacões
E não são pedras, são homens, Maria!
Feras matam velhos, mulheres e crianças
E não são feras, são homens, Maria!
Crias morrem à míngua de leite
Vermes nas ruas esperam caridade.
E não são crias nem vermes
São os filhos dos homens, Maria!
Bichos espreitam nas cercas de arame farpado
E também não são bichos, são homens, Maria!
Do ódio e da guerra
Cresce no mundo o girassol da esperança…
Ah! põe as mãos
Põe as mãos e reza…
Reza, Maria!
Guiões (síntese)
Desenho, colorido, simples. Um campo com amendoeiras e oliveiras do lado esquerdo e com uma plantação de trigo do lado direito, separados por um caminho arenoso e pedregoso. No horizonte, montanhas com neve no cume. À direita, em 1º plano, um casebre, com grades nas portas e nas janelas. Homens e mulheres de várias etnias (indostânica, branca, negra, latino-americana, chinesa, nórdica) trabalham. Mulheres varejam azeitonas das oliveiras. Homens e mulheres, com enxadas cavam os campos. Homens carregam sacos às costas. Junto às oliveiras um caixote com axeitonas, a transbordar. Mulheres ceifam o trigo. Céu azul com nuvens cinzentas. Em cima do telhado da cabana, com ar vigilante, pousam 2 abutres, perfeitamente identificáveis. No ar esvoaçam vampiros, também reconhecíveis. Em 1º plano, sobrevoando os abutres, 2 vampiros perfeitamente reconhecíveis, tais como os abutres. Os 2 homens carregando os sacos devem ser colocados junto ao homem que vareja a oliveira. Em 1º plano, por cima dos abutres, devem esvoaçar 2 vampiros, com ar vigilante. perfeitamente reconhecíveis. As núvens devem ser de várias tonalidades de cinzento, predominando o cinszento escuro. Devem ser respeitadas as regas da perspectiva.
Af
As duas priimeiras gravuras sãpo do chatGPT e as duas seguintes do Gemini, que tiveram apenas como guião o poema de José Afonso em desenho de linhas simples ou estilo Van Gogh. Das múltiplas imagens geradas, seleccionei apenas estas quatro
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Outrora, no tempo em que os meus filhos eram crianças e o Natal se celebrava aqui, onde ainda moro, armavam-se a árvore de Natal e o presépio, cada ano diferente. Este era essencialmente construído à base de Leggo e Play Mobil. Mas as crianças cresceram, ter-se-iam tornado adultas, e deixei de me preocupar com tais adereços. A Engrácia e a Mila no entanto preocupavam-se com isso. Mas este ano não tinha as "luzes" ou gambiarras, que dera ao Rui, e não sabia onde parava a caixa com os adereços e não me apeteceu procurá-la.
Mas Natal sem enfeites não será Natal, pelo que a Mila, numa destas 2as feiras, resolveu trazer-me as luzes e outros adereços, incluindo um "menino Jesus" deitado numa almofada e, posteriormente, a prenda de Natal que dela recebi, uma de várias que ao longo do(s) ano(s) me oferece, em prova de estima e de amizade.
Resolvi armar o presépio com bonecada e alguns edificios, com a prenda que me coube. Está explicada a razão de ser desta foto de capa.
Um Bom Ano Novo para todo o pessoal e para cada um de nós, com Humanidade, Paz, Alegria, Fraternidade, Solidariedade, sem esquecer algum dinheiro para os gastos.
Nas nossas vindas de comboio ao Porto ou partidas deste, era aqui que terminava ou começava a viagem, esperando pela descarga ou da carga do automóvel, umas vezes o meu, outras o da minha mãe.
Mas desde que a CP deixou de transportar veículos dos passageiros, para benefício das portajadas auto-estradas, há muito que aqui não vinha, tendo esquecido como era o edifício.
A estação da Campanhã é considerada a principal estrutura ferroviária no Norte do país, inaugurada em 21 de Maio de 1875. Desde sempre tem sido um importante núcleo ferroviário, no movimento de mercadorias e passageiros, na gestão ferroviária e na manutenção de material circulante
Uma dessas viagens consta da minha correspondência com a Maria do Mar:
«Finalmente a bagagem está toda ali à porta ou no corredor, aguardando o seu transporte para o velho Renault 5, meu companheiro de longas viagens. Tudo isto teria sido mais rápido se as criancinhas ajudassem, mas entre cada transporte ou arrumação surge sempre uma série na televisão que elas têm de ver ou um livro para o Rui ler !
Se o meu carro fosse de confiança amanhã metia-me auto-estrada do Norte acima, pois não tenho paciência para esperas e transbordos. Assim, tenho de passar por Paço de Arcos, descarregar, comprar bilhetes para o comboio, voltar a carregar o carro, levá-lo no dia seguinte para Santa Apolónia com uma hora de antecedência, secar na estação até à hora da partida, embarcar, desembarcar em Campanhã, esperar pelo descarrego do carro e ala para o Mindelo. Como se vê, uma aventura que se repetirá no regresso, onde espero ficar em Paço de Arcos alguns dias, em Setembro. (MMA 1993.08.17)
Sem carro atrelado a viagem terminaria em S. Bento, no centro do Porto, após atra vessar a Ponte D. Maria, perto das casas dos meus avós António e Luís, como relato no meu diário de adolescente, quando em 1963 estive esporadicamente a estudar no Porto.
Às 8:30 tomámos o rápido da linha do Norte. Caía uma chuva miúdinha e no céu via-se um lindo arco íris. Matabichámos no bar da estação de Santa Apolónia, em, Lisboa, que é original, com motivos do caminho de ferro.
À saída de Lisboa passámos por um aeródromo militar. Monte Real era sobrevoada por aviões a jacto, da Base Aérea 5. A primeira paragem foi em Santarém. As cadeiras da automotora são mais espaçosas que as do rápido. Às 9:40 chegámos ao Entroncamento, a terra dos fenómenos. Ia tão entretido a ler que, entre Fátima e Pombal, passámos por um túnel sem eu dar por isso.
Antes de Pombal passámos por um outro que estava em obras. Nesta altura chovia. Às 11:10 chegámos a Alfarelos e pouco depois à estação de Coimbra B. O rio Mondego estava quase seco - e é um rio importante do continente! Passámos por Pampilhosa da Serra (11:43), Cúria (11:50), Aveiro (12:18), Estarreja, Ovar, Espinho, Granja (13:05), Vila Nova de Gaia (13:25), Campanhã e S. Bento (13:50). Na nossa carruagem seguiam 4 indianos que deveriam ter saído em Coimbra, mas por ignorância (passaram lá sem saber) não o fizeram e resolveram seguir até ao Porto. Muitas das estações do percurso tinham bonitos jardins. » (1963.09.11 - Diário III)
Foto Rui Pedro - Estação ferroviária da Campanhã (2022 11 01)
Em 2024 esta foi a minha mensagem, lembrou.me o inFace.Locked, Mas, em 2025, horas antes, e no próprio dia de Natal, continuando o Mundo à beira do caos e dum eventual holocausto nuclear que tudo cobrirá de cinzas mais destrutivas que as "chamas" e lavas do Vesúvio em Herculano e Pompeia, encarreguei o chatGPT para gerar imagens de acordo com os meus guiões, sobre o estado da humanidade para lá dos feéricos e consumistas festejos natalícios. Aqui ficam os resultados.
Resolvi depois alargar estes meus Pingos do Mindelo como Natal dos Simples, com novos guiões, que também figuram no final desta publicação. Nas brincadeiras infantis da minha infância em Luanda, que pouco ou nenhum dinheiro custavam aos nossos pais, mais ou menos abonados, muitos dos brinquedos eram construídos pelas nossas mãos, alguns aproveitando aros de barricas, caixotes com rodas de rolamento, fisgas, berlindes (com especial cuidado para escapar aos abafadores), corridas de caricas ou jogos de futebol com estas e as cores dos clubes e jogadores nelas colados, as marcações a giz no asfalto, papagaios de papel ... a 1ª imagem criada pelo chatGPT aparentemente distinguia as brincadeiras das meninas das dos meninos, pelo que lhe "encomendei" um desenho onde a igualdade do género fosse respeitada- Mas num mundo de contrastes, houve nova encomenda, que os registase. E, entre as festas natalícias e um ano novo da era depois de Cristo e duma natividade imposta a quase todos os Povos do Planeta, cada vez mais sombrio, com negro de fumo e cinzas no horizonte, determinei ao chatGPT que ilustrasse o poema "Meninos do Huambo", interpretado pelo angolano Rui Mingas. A ilustração do "Natal dos Simples", de José Afonso, não corresponde ao pretendido, pois esquecera-me de colocar o poema. Quando quis fazê-lo, esgotara-se o tempo de utilizção gratuita. Gratuidade sim, mas generosidade com peso, conta e medida. It's all money, money, money & the show must go on. It's all business
*** Os guiões
1. Desenhar em linhas claras, colorido, uma mulher e um homem sem abrigo, encostados a uma parede, sentados no chão, num dia de chuva e de frio. embrulhados em cobertores esfarrapados. Imagem criada: Casal sem-abrigo em um dia chuvoso
2. Desenhar em linhas claras e simples, coloridas, crianças negras e com fome, numa paisagem africana com imbondeiros, cactos candelabro e cubatas, alguma em ruínas- Imagem criada: Crianças em terreno seco e árido
3. Desenhar em linhas simples e claras, colorido, uma cidade com prédios destruídos por bombardeamentos, destroços pelas ruas e crianças, homens e mulheres pobremente vestidos vagueando pelas ruas. Imagem criada: Rua devastada pela guerra
4. Deesnha colorido, linhas simples, uma rua com as montras das lojas com brinquedos.Naa rua passam casais e crianças carregando embrulhos de presentes. Em frente a uma das montras 4 crianças, meninos e meninas, poremente vestidos, olham para uma das montras com brinquedos, com expressões de tristeza e de admiração. Imagem criada: Crianças em frente à loja de brinquedos
5- Faz um desenho diferente, colorido, linhas simples. Desenha uma rua com as montras das lojas com brinquedos.Naa rua passam casais e crianças carregando embrulhos de presentes. Em frente a uma das montras 6 crianças, meninos e meninas, pobremente vestidos, olham para uma das montras com brinquedos, com expressões de tristeza e de admiração. As crianças, meninos e meninas, são de várias etnias, uma nórdica, outra latino americana, uma morena, outra negra, uma indiana e outra chinesa. Imagem criada: Crianças sonhadoras na frente da loja de brinquedos
6- Desenho, colorido e de limhas simples. Em torno dum cacto candelabro, desenha 8 meninos e meninas, crianças, de várias etnias: palestina, nórdica, chinesa, negra, latino-americana, indiana, árabe, esquimó, umas bem vestidas, outras pobres (com roupas esfarrapadas). Ao fundo casas em ruínas e um imbondeiro. Junto ao cacto candelabro as 6 crianças desembrulham os presentes de Natal: um tanque de guerra, um canhão, uma bomba atómica, uma espingarda-metralhadora, um caça-bombardeiro, um porta-aviões. No ar, um pai natal atrelado a um caça-bombardeiro lança prendas embrulhadas sobre os meninos e meninas. Imagem criada: Crianças e presentes em um cenário de guerra
7- Refaz o desenho colocando no horizonte um cacto candelabro. Agora as 8 crianças , com os mesmos presentes, estão reunidas em torno dum pinheiro de Natal. No horizonte, para lá das casas em ruínas, desenha uma montanha com neve no cimo. O Pai Natal, atrelado a um caça bombardeiro, lança presentes embrulhados sobre as 8 crianças, meninos e meninas. Os presentes que estas desembrulham são tanquues de guerra, canhões, bombas, caças-bombardeiros, porta-aviões, espingardas-metralhadoras, soldadnhos de chumbo, caveiras ... Imagem criada: Natal na guerra e presentes de destruição.
8. Desenho linas simples, colorido, com meminos e meninas brincando com jogos tradicionais como Cabra-cega: Apanhada (ou Escondidas/Pega-Pega) Corrida de Saco,s Jogo do Lenço, Saltar à Corda, Amarelinha (ou Jogo da Macaca), Jogo da Corda.. Acrescentar o lançamento de papagaio e os jogos com berlindes e pião. Redesenhar, mas pondo meninos e meninas em cada um deles, de várias etnias Imagem criada: Brincadeiras tradicionais no parque
9. Desenho colorido, simples. Uma rua, O pavimento da rua é calcetado, à esquerda, e arenoso, à direita. Do lado esquerrdo montras feericamente iluminadas, com brinquedos vários. Pela esquerda caminham crianças (meninos e meninas) . de várias etnias (nórdica, latino-americana, chinesa, àrabe, negra, bem vestidas e agasalhadas, transportam nas mãos embrulhos de presentes. Pelo campo arenso e árido, à direita da rua, choupanas, casas degradadas, casas de batrro de lata, casas de colmo, algumas em ruínas. Em torno duma oliveira, estão crianças (meninos e meninas) de várias etnias (nórdica, latino-americana, chinesa, àrabe, negra,, palestina). Junto uma torneira de água deixa cair pingos de água numa bacia. No chão, sacos de milho e de trigo, vazios. As crianças, meninos e meninas, estão pobremente vestidas, algumas com roupa esfarrapada. No campo à direita, no horizonte, um cacto candelabro e um imbondeiro.
Redesenha, mas sem solução de continuidade entre os 2 mundos.. A última casa da rua calcetada é uma choupana, metade dum lado, metade do outro. Do mesmo modo, a copa e as raízes da árvora estendem-se para a rua calcetada, numa interpenetração dos 2 mundos. Entre as crianças pobres, à direita, incluir uma criança palestina, de pé, fazendo voar um papagaio de papel. Imagem criada: Crianças e esperanças em contraste
11. Desenho simples, colorido, que descreva e capte o sentido / significado do poema Natal dos Simples, de José Afonso
Natal dos simples | José Afonso ao vivo no Coliseu
Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras
Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas
Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte
Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra
Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pao e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura
12. Retirar as refeências religiosas, como os vitrais e o padre. O poema fala de esperança, partilha e solidariedade, o que não foi captado no desenho
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13. Desenhar a cores, linhas simples. Uma rua arenosa, com casas pobres ao longo dela. No terreiro dfronte delas está uma mesa, com rabanadas, pão e copos e taças com vinho tinto. Em torno da mesa homens, mulheres e crianças pobres, de várias etnias (nórdica, latino-americana, indiana, chinesa, negra, palestina. Pela rua em direcção ao terreiro homens e mulheres, de várias etnias. Uns tocam viola, outros dançam, outros tocam tambor, outros caminham de mãos dadas. São homens e mulheres, jovens e velhos, algumas crianças. Na janela da casa em primeiro plano, à direita do terreiro, assomam uma rapariga jovem e uma mulher idosa. No ar estraleja fogo de artifício.- No horizonte uma sérir de montes, alguns com neve nos cumes. Céu azul com núvens brancas, onde esvoaçam andorinhas pretas Imagem criada_ eelebração vibrante com amigos e família