Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

sábado, 27 de junho de 2026

Pingos da Lanchoa - Habemus secundum pipionem! (2026)

 * Victor Nogueira / Google Gemini







Em latim como se escreve 'temos pombo' referido a um pombo recém-nascido 'borracho'?

Em latim, para dizer "temos pombo" referindo-se especificamente a um filhote de pombo (o nosso "borracho"), a tradução mais precisa é:

Habemus pipionem

Por que essa tradução?

  • Habemus: Significa "temos" (do verbo habere). É a mesma estrutura famosa do Habemus papam ("Temos papa").
  • Pipionem: É o acusativo de pipio (pombo jovem/filhote). Na Roma Antiga, essa palavra era uma forma onomatopaica para descrever o passarinho que piava.

💡 Curiosidade histórica: A palavra latina pipio evoluiu ao longo dos séculos e deu origem à palavra pigeon em francês e inglês, e a pichón em espanhol!

Se você quisesse dizer apenas "temos um pombo" (adulto), a frase seria Habemus columbam, mas para o filhote/borracho, Habemus pipionem encaixa perfeitamente.

Mas na 'concorrência' obtive esta resposta: 

«Temos: Habemus

Um: (em latim não existe artigo indefinido, logo a palavra traduz-se diretamente)

Pombo / Pomba: Columbum (masculino) ou columbam (feminino)

Recém-nascido: Recens natum (masculino) ou recens natam (feminino» Qual é a correcta, uma vez que se contradizem?

A resposta da "concorrência" não está necessariamente errada do ponto de vista gramatical literal, mas ela comete o erro clássico de traduzir palavra por palavra, ignorando como os romanos realmente falavam e o termo específico que você pediu ("borracho").

Aqui está a explicação do porquê de ambas existirem e por que a minha resposta é a mais precisa para o seu caso:

1. A versão da concorrência: Habemus columbum recens natum

Eles pegaram o dicionário e traduziram literalmente: "Temos [Habemus] pombo [columbum] recém-nascido [recens natum]".

  • O problema: É uma tradução artificial, meio "robótica". Seria o equivalente a um estrangeiro dizer em português "Nós possuímos uma ave columbídea que acabou de sair do ovo". Está gramaticalmente correto? Sim. É como um falante nativo diria? Não.

2. A minha versão: Habemus pipionem

Esta é a forma idiomática e historicamente precisa.

  • O que é um pipio? Os romanos não diziam "pombo recém-nascido"; eles tinham uma palavra específica para o filhote de pombo que pia no ninho (o borracho). Essa palavra era pipio (da qual deriva o verbo pipiare, "piar").
  • Quando você diz pipionem (que é o objeto direto de habemus), você já está dizendo, intrinsecamente, "pombo filhote/borracho". É uma palavra única que substitui a necessidade de duas.

O Veredicto

Se o seu objetivo é...

A frase certa é:

Por quê?

Soar natural, histórico e usar o termo exato para "borracho"

Habemus pipionem

Era como um romano real chamaria um filhote de pombo.

Uma tradução literal e descritiva (palavra por palavra)

Habemus columbum recens natum

Funciona como descrição técnica, mas ignora o vocabulário próprio da língua.

VER "Querelam et confusão entre Geminos habemus" (2026)

Se você quer o equivalente perfeito e elegante para "Temos borracho", mantenho a recomendação: Habemus pipionem.

Num dos meus blogs tenho feito publicações sobre a evolução dos ovos num ninho num dos vasos duma das minhas varandas. Como hoje nasceu o 2º borracho, lembrei-me de dar ao post uma fórmula parecida com 'Temos Papa', adaptada a 'Temos borracho'

Que excelente contexto! Parabéns pelos novos "inquilinos" da varanda. Sabendo que o objetivo é um título de blog celebrativo, no estilo do anúncio do Vaticano (Habemus Papam), a escolha do termo faz toda a diferença.

Para o seu post de hoje, você tem duas opções perfeitas, dependendo do tom que quer dar:

Opção 1: A mais autêntica e elegante (Recomendada)

Habemus pipionem!

Como vimos, pipio é exatamente o "borracho" (o filhote que pia). Soa incrivelmente latim, mantém o ritmo exato de Habemus Papam (duas palavras, com a terminação em "-em") e é historicamente impecável. É o equivalente perfeito a "Temos borracho!".

Opção 2: A mais óbvia para os leitores (O "Trocadilho" Visual)

Habemus columbam!

Se você acha que os leitores do blog não vão entender pipionem e quer que eles façam a associação imediata com "pombo", você pode usar columbam (pomba). Embora signifique o pombo em geral, visualmente e sonoramente fica ainda mais parecido com a frase do Papa.

Sugestão de Ouro para o Post 📝

Como nasceu o segundo borracho hoje, você pode até brincar com o número em latim se quiser ser ainda mais preciso:

  • Habemus secundum pipionem! (Temos o segundo borracho!)
  • Ou simplesmente manter o clássico e impactante: Habemus pipionem! 🐣 (E no texto você explica que o segundo irmãozinho finalmente quebrou a casca).

Boa sorte com a publicação e com os pequenos na varanda!

Com base nestas fotos de hoje podes gerar uma gravura? No ninho, a mancha castanha maior é a do mais velho e a menor a do agora nascido. Ainda se vê metade da casca do ovo. O pombo agora esvoaça para o parapeito ou para longe se me aproximo. Daí as outras duas fotos


Ficou excelente a ilustração no estilo de gravura antiga de história natural! Como os dois filhotes já nasceram, o título foi atualizado para o plural:

Habemus pipiones! (Temos borrachos!)

O que a gravura retrata (baseado nas suas fotos):

  1. O painel principal (O Ninho): Mostra os dois pequenos borrachos protegidos pelas folhas verdes e compridas do seu vaso. Dá para ver claramente o irmão mais velho (maior), o recém-nascido de hoje (menor) e o pedaço da casca do ovo que você mencionou.
  2. O painel inferior esquerdo (No Parapeito): O pombo adulto posado no parapeito da varanda, observando a paisagem urbana ao fundo, exatamente como na sua segunda foto.
  3. O painel inferior direito (A Fuga): A silhueta do pombo voando alto contra o céu azul e as nuvens, registrando o momento em que ele se afasta quando você se aproxima.

O rodapé foi criado imitando as antigas enciclopédias de biologia, com legendas em latim e português (Nidificatio in Balconeo — Nidificação na Varanda).

Esta imagem está pronta e perfeita para ilustrar o post do seu blog!  

Daqui a quanto tempo os pombos abandonam o ninho?

Os seus novos "inquilinos" vão transformar o seu vaso numa verdadeira maternidade a tempo inteiro durante as próximas semanas. O ciclo deles no ninho é relativamente rápido, mas muito intenso.

A contagem decrescente para eles abandonarem o ninho divide-se em três fases:

1. As próximas 2 semanas: Crescimento acelerado

Os borrachos crescem a uma velocidade impressionante graças ao "leite de papo" (uma secreção altamente nutritiva que ambos os pais produzem). Por volta dos 15 dias, eles já não têm aquela penugem amarela de recém-nascidos e começam a ganhar as primeiras penas cinzentas.

2. Entre os 25 e 30 dias: Primeiros ensaios

Com cerca de 4 semanas de vida, eles já têm o tamanho de um pombo adulto (embora sem o brilho característico nas penas do pescoço) e começam a exercitar as asas. É muito provável que os veja a empoleirar-se na borda do vaso ou a dar pequenos saltos para o parapeito da varanda.

3. O Adeus definitivo: Aos 30-35 dias (cerca de 5 semanas)

🗓️ Resumo: Daqui a sensivelmente um mês, os borrachos farão os seus primeiros voos reais e deixarão o vaso definitivamente para explorar a cidade.

Um detalhe curioso para o seu olhar (e para o blog)

Os pombos são excelentes pais, mas também são reprodutores implacáveis. Não se surpreenda se, daqui a duas ou três semanas (quando estes borrachos ainda estiverem no ninho a crescer), a mãe pomba decidir pôr mais dois ovos no mesmo vaso, começando o ciclo todo outra vez enquanto o pai acaba de criar estes dois.

Até lá, tem cerca de um mês para registar o "ao (es)correr da pena e do olhar" esta fantástica evolução na sua varanda!

VER

Pingos da Lanchoa - pombos e borrachos (2026)

Pingos da Lanchoa: a saga dos pombos (2026)

Pingos da Lanchoa: os pombos na estalagem (2026)

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