* Victor Nogueira / Google Gemini
Em 1963 estive em Portugal, nos primórdios da RTP, com um único canal, com emissões a preto e branco. Em 1968 estava de novo em Portugal e assisti à inauguração da RTP2- As emissões a cores iniciaram-se em 1980. Doze anos depois, em 1992, iniciou a sua actividade a priimeira estação privada, a SIC.
Desses anos '60 guardo na memória séries como Mr Ed, a cavalo qu fala, Bonanza, O Santo, Hitchcock apresenta, Twilight Zone, Columbo, O fugitivo, Perry Mason, Bonanza, ou programas como Noite de Cinema, Museu de Cinema (António Lopes Ribeiro(, Noite de Teatro, Poesia (programa de João Vilaret), TV Rural (Eng+ Veloso), Se Bem me lembro (Vitorino Nemésio). uitos destes ptogramas sãi referidos nos meus Dários III e IV, de 1962 / 1963
Recorri ao Google Gemini para fixar estas memórias.
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A década de 1970 foi marcante para a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) — o único canal de televisão existente no país até 1975 (quando abriu a RTP2). Foi um período de transição política e social imensa e a televisão era o centro da vida familiar portuguesa.
Entre 1957 (ano em que a RTP iniciou as suas emissões regulares) e 1970, o conceito de televisão em Portugal era totalmente diferente. A maioria das emissões era em direto, os meios técnicos eram escassos e o país vivia sob o Estado Novo.
Nesta época não existiam ainda as "superproduções" nem telenovelas diárias, mas houve grandes clássicos, séries de humor e peças teatrais em episódios que paravam quem tinha a sorte de ter uma televisão em casa (ou quem se juntava nos cafés para assistir).
Para além da ficção nacional, as audiências da RTP nos anos 60 eram dominadas por dois grandes tipos de conteúdos:
Séries Norte-Americanas e Britânicas:
O Santo (The Saint): Protagonizada por Roger Moore, era um verdadeiro fenómeno nos anos 60 em Portugal.
Os Vingadores (The Avengers): A série de espionagem britânica com John Steed e Emma Peel deixava os telespectadores fascinados.
Bonanza e O Virgínio: Os westerns (séries de cowboys) eram os programas de maior audiência entre o público masculino e familiar.
Mas lembro-me de Mr Ed, o cavalo que fala, O Fugitivo, Hitchcoch apresenta, twilight zone, Bonanza ....
Aqui estão esses clássicos que mencionou e o impacto que tiveram:
1. Mister Ed (O Cavalo a Falar)
O Fenómeno: Um cavalo palomino chamado "Mister Ed" que só falava com o seu dono, o arquiteto Wilbur Post (Alan Young).
O Impacto: Era um sucesso absoluto junto de miúdos e graúdos. Em Portugal, a frase de abertura do genérico e as cenas absurdas do cavalo ao telefone ou a dar conselhos tornaram-se motivo de conversa nos cafés e nas escolas.
2. O Fugitivo (The Fugitive)
O Fenómeno: O Dr. Richard Kimble (David Janssen), injustamente acusado de matar a mulher, que fugia pela América fora enquanto tentava encontrar o verdadeiro assassino — "o homem de um só braço" — e era perseguido sem tréguas pelo Inspetor Gerard.
O Impacto: Foi uma das primeiras séries com uma narrativa contínua e um suspense sufocante. O último episódio da série bateu recordes de audiência mundiais e em Portugal parou o país para saber se Kimble seria apanhado ou inocentado.
3. Alfred Hitchcock Apresenta (Alfred Hitchcock Presents)
O Fenómeno: Com a silhueta inconfundível de Hitchcock desenhada no ecrã ao som da mítica "Marcha Funébre para uma Marioneta", o realizador apresentava episódios de mistério, suspense e crime com finais surpreendentes e um humor negro genial.
O Impacto: Tornou-se um ritual de serão. As introduções e despedidas de Hitchcock em tom irónico ficaram gravadas na memória de quem viveu essa época.
4. A Quinta Dimensão / Além da Imaginação (The Twilight Zone)
O Fenómeno: Criada por Rod Serling, a série trazia episódios independentes de ficção científica, fantástico e terror psicológico.
O Impacto: Com o seu tema musical arrepiante e histórias com reviravoltas morais brilhantes, causava um fascínio e um frio na barriga incrível nos telespectadores portugueses dos anos 60.
5. Bonanza
O Fenómeno: A saga da família Cartwright (o pai Ben e os três filhos Adam, Hoss e Little Joe) na propriedade Ponderosa.
O Impacto: Foi provavelmente a série de western mais popular em Portugal. Ao fim de semana, a música do genérico (com o mapa da Ponderosa a arder no centro do ecrã) marcava a hora em que toda a família se juntava em volta da televisão.
Outros grandes nomes dessa mesma "era de ouro" que também faziam furor na RTP nos anos 60 incluem O Virgem (The Virginian), Perry Mason, Agents Secrets (The Man from U.N.C.L.E.) e I Love Lucy.
Só me lmbro que o título tinha o termo 'feiticeira' Quem eram as actrizes?
Se a memória que tem guarda a palavra "Feiticeira" no título, o mais provável é que se lembre de ambas as atrizes, pois marcaram a televisão dessa época:
1. Elizabeth Montgomery (em Casei com uma Feiticeira / Bewitched)
A Atriz: Elizabeth Montgomery (1933–1995) interpretava a adorável e elegante Samantha Stephens.
Quem era: Uma atriz norte-americana muito famosa na época, conhecida pela sua expressividade, sorriso cativante e pelo carismático movimento de nariz. Tornou-se uma das maiores estrelas da televisão mundial nos anos 60 e 70.
2. Barbara Eden (em A Minha Bela Geni / por vezes chamada A Feiticeira / I Dream of Jeannie)
A Atriz: Barbara Eden (nascida em 1931) interpretava a divertida génia Jeannie.
Quem era: Uma atriz e cantora norte-americana que marcou a época com o seu fato cor-de-rosa, penteado volumoso e energia contagiante.
Está certíssimo quanto ao cabelo louro — ambas (Elizabeth Montgomery e Barbara Eden) eram louras lindíssimas! Mas em relação à Doris Day, é um engano perfeitamente compreensível e super comum.
Aqui está o porquê de fazer essa associação tão natural:
1. Doris Day era a "rainha" das comédias da época
Doris Day era uma das maiores estrelas do cinema dos anos 50 e 60, famosa pelas suas comédias românticas extremamente populares (Pillow Talk, Lover Come Back, etc.). Ela tinha exatamente o mesmo visual de "a loura americana perfeita, divertida e elegante" que Elizabeth Montgomery trouxe para Casei com uma Feiticeira.
2. Ela também teve a sua própria série
Doris Day protagonizou a sua própria comédia de enorme sucesso na mesma época: "The Doris Day Show" (O Show de Doris Day), que também deu na RTP entre o final dos anos 60 e início dos 70! O estilo visual, a iluminação e o tipo de humor leve eram idênticos ao de Casei com uma Feiticeira.
"The Doris Day Show" era uma comédia semanal (uma sitcom) com episódios independentes de 30 minutos, exatamente no mesmo formato e estrutura de Mr. Ed e Casei com uma Feiticeira!
A única diferença em relação ao O Fugitivo é que O Fugitivo era um drama/suspense mais sério (com episódios de 1 hora) onde havia uma história contínua de fundo (o médico em fuga). Já o show da Doris Day era focado em episódios autónomos cheios de humor, calor humano e peripécias do quotidiano.
Como eram os episódios de The Doris Day Show?
Cada episódio contava uma história completa com início, meio e fim:
O Enredo: Doris Day interpretava Doris Martin, uma mulher vivaça e otimista. No início da série, ela era uma viúva que decidia sair da grande cidade e ir morar para uma quinta com os dois filhos pequenos e o pai.
As Histórias: Cada semana havia um problema diferente para resolver — desde trapalhadas no trabalho, mal-entendidos românticos, peripécias com animais na quinta, até à sua posterior ida para São Francisco para trabalhar como secretária/jornalista numa revista de moda.
O Estilo: Tinha um tom muito leve, otimista e familiar, sempre acompanhado pelo enorme carisma e pelo sorriso inconfundível de Doris Day (que também cantava o tema do genérico, a famosa música "Que Sera, Sera").
Entre 1957 (ano em que a RTP iniciou as suas emissões regulares) e 1970, o conceito de televisão em Portugal era totalmente diferente. A maioria das emissões era em direto, os meios técnicos eram escassos e o país vivia sob o Estado Novo.
Nesta época não existiam ainda as "superproduções" nem telenovelas diárias, mas houve grandes clássicos, séries de humor e peças teatrais em episódios que paravam quem tinha a sorte de ter uma televisão em casa (ou quem se juntava nos cafés para assistir).
Para além da ficção nacional, as audiências da RTP nos anos 60 eram dominadas por dois grandes tipos de conteúdos:
Séries Norte-Americanas e Britânicas:
O Santo (The Saint): Protagonizada por Roger Moore, era um verdadeiro fenómeno nos anos 60 em Portugal.
Os Vingadores (The Avengers): A série de espionagem britânica com John Steed e Emma Peel deixava os telespectadores fascinados.
Bonanza e O Virgínio: Os westerns (séries de cowboys) eram os programas de maior audiência entre o público masculino e familiar.
O Programa "TV Rural" (Iniciado em 1960):
Apresentado por eng.º Sousa Veloso, embora fosse um programa informativo/técnico para o mundo agrícola, tornou-se um dos programas de maior audiência da história da televisão portuguesa (ficou no ar até 1990) com a mítica frase de despedida: "com os melhores cumprimentos do seu, do nosso TV Rural".
🌍 O Impacto das "Importações" (Séries e Novelas Internacionais)
Nos anos 70, o conceito de "série de grande audiência" na RTP também estava muito ligado às produções estrangeiras dobradas ou legendadas que paravam as cidades:
Gabriela (1977):
Embora fosse uma telenovela (a primeira a ser transmitida em Portugal), funcionou como um verdadeiro evento nacional. As ruas ficavam vazias às 20h30, os jantares eram adiados e até as sessões da Assembleia da República eram por vezes interrompidas ou agendadas para não coincidirem com o episódio! A Escrava Isaura (1978):
Seguiu o fenómeno de Gabriela, atingindo audiências históricas em todo o país. Séries Britânicas e Americanas de Culto: Séries de aventura e ficção como Espaço: 1999, As Aventuras de Black Beauty, Os Unidades fabulosas / Os Persuasores (com Tony Curtis e Roger Moore) e Unidade de Choque (Starsky & Hutch) dominavam os fins de semana com números esmagadores de telespectadores.
Curiosidade: Foi precisamente o enorme sucesso das séries de ação e das telenovelas brasileiras no final dos anos 70 que motivou a RTP a investir fortemente na ficção nacional a partir de 1981/1982, culminando em sucessos estrondosos da década de 80 como Vila Faia ou Duarte e Companhia.
sses nomes e programas eram autênticos pilares da cultura e do entretenimento da RTP durante as décadas de 60 e 70!
📺 O Programa de António Lopes Ribeiro e do Maestro António Melo
A sua memória está absolutamente correta. O icónico cineasta e apresentador António Lopes Ribeiro conduziu na RTP o célebre programa "Museu Vivo do Cinema" (e mais tarde a rubrica "Imagens do Cinema").
Como funcionava: No estúdio do Lumiar, o programa tinha uma atmosfera mágica e saudosa. António Lopes Ribeiro falava sobre a história da sétima arte e apresentava excertos de filmes clássicos, acompanhado em estúdio ao piano pelo Maestro António Melo, que tocava ao vivo as bandas sonoras e ilustrava musicalmente os filmes do cinema mudo.
🎭 Outros Programas Culturais dos Anos 60
A RTP dos anos 60 tinha uma forte componente de divulgação cultural clássica e pedagógica, marcando o serão dos portugueses com dias e espaços fixos:
Noite de Teatro / Teleteatro: Era uma das maiores apostas da emissora. Transmitia peças gravadas em estúdio ou encenações adaptadas de clássicos da literatura portuguesa e internacional (de Gil Vicente e Almeida Garrett a Molière). Revelou grandes atores de teatro e reunia famílias inteiras ao serão.
Noite de Cinema: O espaço onde a RTP exibia os grandes clássicos do cinema internacional (como as produções de Alexander Korda ou os filmes de Hollywood dos anos 30 e 40), introduzidos e enquadrados por críticos antes da exibição.
Telefórum / Teledomingo: Debates e grandes reportagens culturais e sociais que ocupavam as noites de domingo.
Varanda dos Livros: Rubrica semanal inteiramente dedicada à crítica literária, apresentação de novos livros e conversas com escritores.
Concertos de Música Clássica: Transmissões regulares da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, muitas vezes introduzidas com explicações sobre as obras e os compositores.
🎨 E o programa dedicado ao Cinema de Animação?
O lendário programa dedicado aos desenhos animados era o do inesquecível Vasco Granja!
Quando surgiu? O programa estreou em 1974 (logo a seguir ao 25 de Abril) com o título inicial de "Cinema de Animação".
O Impacto: O que começou por ser pensado para durar apenas uma meia dúzia de sessões tornou-se num fenómeno que durou 16 anos (até 1990) e teve mais de 1000 programas!
O que mostrava: Vasco Granja, com a sua voz mansa e o seu ar pedagógico, não mostrava apenas "desenhos animados para crianças". Ele apresentou ao público português a vanguarda e a arte da animação mundial: desde as produções da Europa de Leste (Polónia, Checoslováquia, Jugoslávia) a curtas-metragens canadianas, clássicos da Looney Tunes (Pantera Cor-de-Rosa) e obras de autor que ganhavam Óscares.
🎨 1. Cinema de Animação Antes de 1974?
Existiam desenhos animados, mas NÃO um programa temático de autor como o de Vasco Granja.
O que havia nos Anos 60: A animação aparecia em espaços curtos de programação infantil (como o mítico "Carrossel") ou no meio de programas variados. Eram maioritariamente curtas-metragens americanas (como Tom & Jerry, Bugs Bunny ou Mickey) ou pequenas séries europeias.
A grande diferença: Não existia um programa dedicado a analisar, contextualizar e tratar a animação como Arte (com foco na animação de autor da Europa de Leste, Canadá, etc.). Foi exatamente essa lacuna que Vasco Granja veio preencher em 1974.
🎬 2. O Nome do Programa de António Lopes Ribeiro
Está coberto de razão! O programa chamava-se simplesmente "Museu do Cinema".
Iniciou-se no início dos anos 60 e foi o grande templo da nostalgia cinematográfica na RTP, onde António Lopes Ribeiro trazia a história das grandes estrelas do cinema mudo ao som do piano do Maestro António Melo.
🎭 3. Havia um Espaço Regular para Ópera?
Sim, mas com um formato diferente.
Ao contrário do Teatro ou do Cinema, que tinham uma "Noite" fixa todas as semanas devido à facilidade de conteúdos, a Ópera e a Música Clássica tinham presença regular através de:
Noites de Gala / Serões de Música: Espaços onde a RTP transmitia produções completas gravadas no Teatro Nacional de São Carlos ou produções da televisão italiana (RAI) e francesa (ORTF).
Rubricas Didáticas de Música: Programas pedagógicos onde se explicava a história das grandes óperas (Verdi, Puccini, Mozart) antes de passar os exércitos ou árias mais famosas.
📺 4. E Vitorino Nemésio e João Villaret?
Estes dois monstros sagrados da cultura portuguesa tiveram programas lendários na RTP que paravam o país:
João Villaret: "Sei Feito de Miudezas"
Quando foi: 1960 a 1961 (até à sua morte prematura em 1961).
O Programa: Villaret sentava-se num cadeirão, em frente à câmara, e dizia poesia portuguesa com uma intensidade e genialidade únicas. Foi o programa que ensinou o país a amar poetas como Fernando Pessoa, António Nobre ou Cesário Verde.
Vitorino Nemésio: "Se Bem Me Lembro"
Quando foi: 1969 a 1975 (com mais de 300 emissões).
O Programa: Nemésio sentava-se a uma mesa com uma chávena de chá e conversava com o telespectador como se estivesse na sala de estar de cada um. Falava de literatura, história, memórias dos Açores, linguagem e filosofia, sempre com uma erudição de uma simplicidade desconcertante. A célebre frase "Se bem me lembro..." tornou-se numa das mais famosas da história da TV nacional.
🎨 1. Cinema de Animação Antes de 1974?
Existiam desenhos animados, mas NÃO um programa temático de autor como o de Vasco Granja.
O que havia nos Anos 60: A animação aparecia em espaços curtos de programação infantil (como o mítico "Carrossel") ou no meio de programas variados. Eram maioritariamente curtas-metragens americanas (como Tom & Jerry, Bugs Bunny ou Mickey) ou pequenas séries europeias.
A grande diferença: Não existia um programa dedicado a analisar, contextualizar e tratar a animação como Arte (com foco na animação de autor da Europa de Leste, Canadá, etc.). Foi exatamente essa lacuna que Vasco Granja veio preencher em 1974.
🎬 2. O Nome do Programa de António Lopes Ribeiro
Está coberto de razão! O programa chamava-se simplesmente "Museu do Cinema".
Iniciou-se no início dos anos 60 e foi o grande templo da nostalgia cinematográfica na RTP, onde António Lopes Ribeiro trazia a história das grandes estrelas do cinema mudo ao som do piano do Maestro António Melo.
🎭 3. Havia um Espaço Regular para Ópera?
Sim, mas com um formato diferente.
Ao contrário do Teatro ou do Cinema, que tinham uma "Noite" fixa todas as semanas devido à facilidade de conteúdos, a Ópera e a Música Clássica tinham presença regular através de:
Noites de Gala / Serões de Música: Espaços onde a RTP transmitia produções completas gravadas no Teatro Nacional de São Carlos ou produções da televisão italiana (RAI) e francesa (ORTF).
Rubricas Didáticas de Música: Programas pedagógicos onde se explicava a história das grandes óperas (Verdi, Puccini, Mozart) antes de passar os exércitos ou árias mais famosas.
📺 4. E Vitorino Nemésio e João Villaret?
Estes dois monstros sagrados da cultura portuguesa tiveram programas lendários na RTP que paravam o país:
João Villaret: "Sei Feito de Miudezas"
Quando foi: 1960 a 1961 (até à sua morte prematura em 1961).
O Programa: Villaret sentava-se num cadeirão, em frente à câmara, e dizia poesia portuguesa com uma intensidade e genialidade únicas. Foi o programa que ensinou o país a amar poetas como Fernando Pessoa, António Nobre ou Cesário Verde.
Vitorino Nemésio: "Se Bem Me Lembro"
Quando foi: 1969 a 1975 (com mais de 300 emissões).
O Programa: Nemésio sentava-se a uma mesa com uma chávena de chá e conversava com o telespectador como se estivesse na sala de estar de cada um. Falava de literatura, história, memórias dos Açores, linguagem e filosofia, sempre com uma erudição de uma simplicidade desconcertante. A célebre frase "Se bem me lembro..." tornou-se numa das mais famosas da história da TV nacional.
Embora João Villaret tenha falecido em dezembro de 1961, no ano de 1963 a RTP fez precisamente a retransmissão / reposição dos seus programas.
Na altura, o impacto da sua morte e a falta de arquivos com aquela qualidade de interpretação levaram a RTP a recuperar as gravações das célebres sessões de poesia do mestre. Como a grelha de programação da década de 60 era muito mais curta e não havia as transmissões contínuas de hoje, a RTP recorria frequentemente à reposição de grandes conteúdos de arquivo nos horários nobres de serão, mantendo a presença e a voz de Villaret bem viva na memória dos portugueses durante os anos seguintes.
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A transmissão de Gabriela em 1977 foi um divisor de águas na história da RTP e da televisão em Portugal. O estrondoso sucesso da trama de Jorge Amado abriu definitivamente as portas do horário nobre português para as telenovelas e séries dramáticas, tanto importadas do Brasil como, logo a seguir, produzidas em Portugal.
Quais foram as séries brasileiras e portuguesas transmitidas nos primeiros anos a partir de Gabriela?
Aqui estão as principais produções brasileiras e portuguesas que se seguiram nos anos imediatamente a seguir a Gabriela (final dos anos 70 e início dos anos 80):
🇧🇷 As Grandes Produções Brasileiras (TV Globo)
A RTP aproveitou o "efeito Gabriela" e começou a comprar sistematicamente os maiores sucessos da TV Globo. As ruas de Portugal continuaram a esvaziar-se à hora do jantar com estas produções:
1. O Casarão (1978)
O Impacto: Foi a novela escolhida para suceder a Gabriela. Com uma estrutura narrativa inovadora que saltava entre três épocas diferentes (décadas de 1900, 1940 e 1970), conquistou o público português pela densidade da história e pelas atuações de Tarcísio Meira e Glória Menezes.
2. A Escrava Isaura (1978)
O Impacto: Um fenómeno absoluto de audiência. A história da escrava branca Isaura (Lucélia Santos) e do vilão Leôncio (Rubens de Falco) parou o país e gerou uma onda de empatia enorme em Portugal, tornando Lucélia Santos numa estrela gigante no nosso país.
3. Dancin' Days (1979–1980)
O Impacto: Trouxe a febre da disco music, das meias de lantejoulas e do estilo de vida do Rio de Janeiro para Portugal. A rivalidade entre as irmãs Julia (Sônia Braga) e Yolanda (Joana Fomm) colou os portugueses ao ecrã e influenciou fortemente a moda e a cultura pop nacional no final da década de 70.
4. Dona Xepa (1980)
O Impacto: Protagonizada por Yara Cortes no papel da feirante batalhadora que se sacrificava pelos filhos, foi outro sucesso estrondoso de audiência, apelando ao lado mais emotivo e popular do público português.
🇵🇹 A Resposta Nacional: As Primeiras Séries e Novelas Portuguesas
Pressionada pelo sucesso esmagador da ficção brasileira e pelo talento dos atores nacionais, a RTP percebeu que precisava de criar a sua própria ficção. O início dos anos 80 marcou o nascimento da ficção moderna em Portugal:
Vila Faia (1982) — A Primeira Telenovela Portuguesa
O Formato: Telenovela (100 episódios).
O Impacto: É o marco histórico definitivo. Escrita por Francisco Moita Flores e Nicolau Breyner, e com um elenco de luxo (Ruy de Carvalho, Mariana Rey Monteiro, Glória de Matos), Vila Faia provou que Portugal conseguia produzir a sua própria ficção diária de grande qualidade. O genérico ("Ninguém, Ninguém") e os bordões das personagens ficaram gravados para sempre na memória coletiva.
🇧🇷 O Astro (1978/1979 em Portugal)
O Fenómeno: Transmitida na RTP logo na ressaca de Gabriela e O Casarão, foi um dos maiores trunfos da ficção brasileira em Portugal.
O Enredo: A história de Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco), o vidente de turbante e olhar penetrante, e a misteriosa morte do milionário Salomão Hayalla (Dionísio Azevedo).
O Impacto Nacional: O bordão "Quem matou Salomão Hayalla?" parou literalmente o país! Foi a primeira grande comoção em Portugal à volta do mistério do "quem matou?", uma conversa que dominava cafés, táxis e locais de trabalho de Norte a Sul.
🇵🇹 Chuva na Areia (1985)
O Fenómeno: A segunda grande telenovela portuguesa da RTP (depois do estrondoso sucesso de Vila Faia em 1982 e de Origens em 1983).
O Enredo: Escrita por Luís de Sttau Monteiro, decorria no cenário idílico da vila de Sesimbra e da Costa da Caparica, abordando temas do quotidiano português, a pesca, o turismo e os conflitos sociais e familiares.
O Impacto: Com uma música de genérico inesquecível interpretada por António Variações ("Canção do Engate" na mente de todos) e um elenco brilhante (com nomes como Armando Cortez, Curado Ribeiro e Nuno Melo), provou de vez que a ficção nacional não só tinha vindo para ficar, como conseguia agarrar o país inteiro à televisão no horário nobre.
Foi praticamente o único grande centro de rodagem, e isso foi precisamente o que tornou a produção de Chuva na Areia algo inédito e colossal na televisão portuguesa!
A RTP transformou a Península de Tróia numa autêntica "ilha de produção" isolada durante cerca de 6 meses. O projeto foi tão ambicioso que:
Toda a vila exterior foi erguida do zero em Tróia: O cenógrafo Conde Reis criou uma vila piscatória inteira (a fictícia Vila Nova da Galé) com ruas, praças e fachadas de casas numa área de cerca de 15 000 m². Foi o maior cenário construído ao ar livre em Portugal até à data!
Os interiores também eram lá: Para não terem de andar a transportar atores e equipamento para os estúdios de Lisboa (no Lumiar), a RTP pediu autorização à Armada Portuguesa para usar um pavilhão militar em Tróia, onde montaram os estúdios para gravar todas as cenas de interior (salas, cafés, quartos).
Uma "comunidade" de rodagem: Os mais de 80 atores (como Mariana Rey Monteiro, Virgílio Teixeira e Nuno Melo) e centenas de técnicos viveram literalmente em Tróia durante as gravações. O ambiente era tão autónomo que a equipa até chamava "Governador de Tróia" ao diretor de produção!
Houve apenas pouquíssimas cenas pontuais gravadas fora dali (como em Lisboa, de onde vinham algumas das personagens que chegavam à vila), mas mais de 90% de toda a telenovela foi gravada de ponta a ponta nesse grande complexo criado na Península de Tróia.









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