Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

terça-feira, 28 de julho de 2026

Vade-mécum (05) - o cartoon em Portugal desde o século XIX

 


* Gemini

Uma grande referência histórica da caricatura portuguesa é Rafael Bordalo Pinheiro  o mestre do século XIX que criou o icônico Zé Povinho . Ao longo dos séculos XIX e XX, Portugal teve uma rica tradição de desenho satírico e político. [12]

Grandes Nomes do Século XIX
  • Rafael Bordalo Pinheiro (1846–1905):O nome mais genial do humor gráfico português. Fundou publicações míticas comoO António Mariae usou a sátira para atacar a corrupção e a crise política da monarquia. [1234]
  • Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815–1880):Pai de Rafael Bordalo Pinheiro , foi um dos grandes pioneiros e dinamizadores da gravura e da ilustração jornalística em Portugal. [1]
  • Julião Machado (1863–1930):Um caricaturista muito ativo na transição do século, conhecido pelo seu traço acadêmico e colaborações na revistaComédia Portuguesa. [12]
Grandes Nomes do Século XX
  • Stuart Carvalhais (1887–1961):Artista boémio e inovador, foi o criador deQuim e Manecas(1915), considerando os primeiros grandes heróis da banda desenhada portuguesa.
  • João Abel Manta (1928–presente):Arquiteto e pintor, os seus cartoons e caricaturas políticas marcaram de forma profunda o período do pré e pós-25 de Abril de 1974, retratando uma sociedade com enorme agudeza.
  • SAM (Samuel Azavey Torres de Carvalho, 1924–1993):Criador do famoso personagemGuarda Ricardo, celebrizou-se pelo seu humor absurdo, poético e minimalista na imprensa.
  • Augusto Cid (1941–2019):Um dos cartoonistas políticos mais polémicos e mordazes do pós-25 de Abril, conhecido pelas suas críticas ferozes aos governantes e figuras de Estado.
  • Vasco (Vasco de Castro, 1935–2021):Teve uma longa carreira em jornais de referência nacionais e franceses (durante o seu exílio), destacando-se pelas caricaturas literárias e políticas muito expressivas. [1234,André Carrilho: premiado internacionalmente, desenha rostos conhecidos para jornais e revistas de todo o mundo.
Outros nomes destacados
  • André Carrilho: premiado internacionalmente, desenha rostos conhecidos para jornais e revistas de todo o mundo.
  • António: um dos mais famosos autores de cartoon político e caricatura de imprensa em Portugal.
  • Luís Costa: muito conhecido por desenhar ao vivo e retratar milhares de pessoas e estudantes.
  • Artur Ferreira (Artur Caricaturas): com bolsas de anos de carreira, faz trabalhos ao vivo em festas, casamentos e livros de finalistas.
No panorama do humor gráfico em Portugal, a referência ao Vasco remete para duas figuras incontornáveis ​​e de épocas diferentes — o histórico Vasco de Castro e o contemporâneo Vasco Gargalo . Seguindo o estrito de cartoonistas de imprensa e a criação de séries ou marcas icônicas:
Vasco de Castro (1935 / 2021)
  • As Caricaturas Literárias e a Crônica da Europa (Série Contínua): Vasco de Castro (que assinava apenas como Vasco ) não criou uma personagem fictícia com nome próprio, mas celebrizou-se por uma das séries de caricaturas de personalidades mais marcantes da Europa do século XX . Exilado em Paris devido à sua oposição à ditadura portuguesa, tornou-se colaborador fixo de publicações míticas francesas como o Le Monde e o Le Figaro . [1, 2, 3]
  • A "Galeria dos Monstros Sagrados": De regresso a Portugal após o 25 de Abril, desenvolveu no jornal Diário de Notícias e no Público uma série contínua de retratos expressionistas, utilizando uma técnica única e inconfundível de aguada, pingos e manchas de tinta negra para desconstruir os rostos de escritores, filósofos e políticos. A sua "série" era a própria desconstrução psicológica da elite cultural e política. [1, 2]
Vasco Gargalo (1977/presente)
  • A Sátira de Geopolítica Internacional (Série de Cartoons de Imprensa): Representante do século XXI, Gargalo é um dos cartoonistas políticos portugueses com maior projeção global contemporânea . Colaborador associado do Cartoon Movement e de revistas internacionais, seu trabalho funciona como uma série contínua focada na crítica mordaz aos líderes mundiais (como Vladimir Putin, Donald Trump e Kim Jong-un). [1, 2, 3]
  • "Aleppo(nica)" e Cartoons de Consciencialização: Embora sem um personagem fixo, sua "série" de cartoons editoriais foca-se na denúncia sistemática de crises humanitárias, refugiados e alterações climáticas. Seu trabalho mais icônico adaptou a Guernica de Picasso para os tempos modernos para retratar a guerra civil na Síria, valendo-lhe o prêmio de melhor cartunista europeu pela Cartoon Home Network International . [1, 2, 3, 4, 5]
No século XXI, a tradição do cartoon e da caricatura em Portugal renovou-se com a entrada de novos talentos e a consolidação de nomes na imprensa internacional. Os artistas contemporâneos se adaptaram à era digital e conquistaram vários galardões globais. [1]
Nomes de Destaque no Século XXI
  • Cristina Sampaio :Com uma longa carreira na ilustração, destaca-se no século XXI com presença regular em publicações globais de referência. É frequentemente nomeado e distinguido em competições internacionais, como o prestigiadoEuropean Cartoon Award. [1]
  • André Carrilho :Um dos rostos mais premiados e sonoros do cartoon contemporâneo, as suas caricaturas e trabalhos editoriais surgem em publicações como aVanity Fair, oThe New York Timese o jornalPúblico. Foi distinguido no festival internacionalWorld Press Cartoon. [1]
  • Luís Afonso :Conhecido pelo seu traço minimalista e extremamente certo, é o criador de rubricas diárias icónicas comoA Mosca(na Antena 1 e RTP) eBartoon(no jornalPúblico), sendo uma das vozes mais activas no comentário político contemporâneo.
  • António Jorge Gonçalves :Artista multifacetado, cruza o cartoon editorial (visível durante anos noInimigo Público) com a banda desenhada, novelas gráficas e performances de desenho digital ao vivo em espetáculos musicais e teatrais.
  • Rodrigo de Matos :Radicado em Macau durante grande parte da sua carreira recente, alcançou grande notoriedade internacional no século XXI ao vencer oGrande Prémio do Press Cartoon Europeem 2014 com um trabalho focado na austeridade em Portugal. [1]
  • Cristiano Salgado :Um dos nomes de relevância da nova geração do cartoon político português, colaborador associado de projetos independentes e imprensa nacional, com um traço muito expressivo e crítico.

Houve e existem várias mulheres com papéis cruciais. Na história da imprensa e da arte satírica portuguesa, a presença feminina foi fortemente silenciada durante o século XIX e grande parte do século XX, devido às barreiras sociais e à censura. A maioria das mulheres artistas nesses períodos encontraram refúgio na ilustração e na pintura
 , mas algumas abriram caminho na caricatura e no humor gráfico. [12]
Abaixo encontramos-se as principais mulheres cartoonistas, caricaturistas e ilustradas satíricas em Portugal ao longo dos três séculos:
Século XIX: O pioneirismo na sombra

Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841–1915):Irmã mais velha de Rafael Bordalo Pinheiro. Embora seja mais gravada pela sua mestria na decoração de cerâmica e azulejo, Maria Augusta era uma desenhadara exímia. Colaborou nos bastidores da produção artística e de publicações humorísticas da família, desafiando as convenções da época que afastavam as mulheres da imprensa satírica. [12]
Século XX: O nascimento da profissionalização
  • Maria Almira Medina (1920–2014):É consideradaa mulher caricaturista profissional da imprensa portuguesa. Redatora principal e desenhista doJornal de Sintra(fundado pela sua família), destacou-se ao publicar regularmente caricaturas num meio que era exclusivamente masculino nas décadas de 1940 e 1950. [1]
  • Ofélia Marques (1902–1952):Embora muito associada ao modernismo e à ilustração infantil, Ofélia tinha um traço rápido e irônico, deixando vários desenhos humorísticos e autorretratos caricaturais que expunham com sutileza e humor o cotidiano e as dinâmicas sociais da época. [12]
  • Mily Possoz (1888–1967):Figura incontornável da primeira geração de modernistas portugueses. A sua obra cruza constantemente a fronteira entre a pintura e o desenho humorístico, recorrendo à ironia visual para retratar tipos sociais, a burguesia e os trajes urbanos com um olhar aguçado. [12]
Século XXI: O reconhecimento global e a nova geração
  • Cristina Sampaio :É, atualmente, a maior referência feminina do cartoon editorial em Portugal. Com um traço inconfundível, publica regularmente no jornalPúblico, desenha para canais de televisão (RTP) e colabora com publicações internacionais no mercado europeu e norte-americano. É repetidamente finalista e premiado noEuropean Cartoon Award.
  • Gargântua (Inês d'Orey) :Um dos nomes emergentes no panorama do humor gráfico e do cartoon político contemporâneo, trazendo novas linguagens e abordagens críticas e sociais à imprensa independente e digital.
  • Mariana, a Miserável (Mariana Santos) :Representante de uma nova geração de ilustradoras que utiliza o humor, o absurdo e a autocrítica nas suas composições gráficas. Embora seu trabalho seja às artes visuais e murais, a essência da caricatura contemporânea e da piada visual está muito presente em sua obra. [1]
Historicamente, o número de mulheres com espaço recebido nos jornais de humor foi reduzido, mas a presença e o impacto desses artistas foram fundamentais para que o século XXI fosse muito mais plural e representativo. [1]
Vários dos cartunistas portugueses mencionados ao longo de nossa conversa realizaram marcas indeléveis na cultura popular através de personagens satíricas ou séries diárias de grande longevidade na imprensa.
Estes são os autores (dos séculos XIX, XX e XXI) que deram vida a criações e séries icônicas:
Século XIX

Rafael Bordalo Pinheiro
  • Maria Paciência (1875):Criada na mesma altura, funcionou como a contraparte feminina do Zé Povinho , representando o sofrimento e a resignação das mulheres das classes populares.
Século XX

Stuart Carvalhais
  • Quim e Manecas (1915):Criados para o jornalO Século, são considerados osprimeiros grandes heróis da banda desenhada portuguesa. Tratava-se de uma dupla de rapazes traquinas que andavam pelas ruas de Lisboa a pregar partidas, capturando de forma genial a vivacidade da cultura popular urbana da época.


SAM (Samuel Azavey Torres de Carvalho)
  • Guarda Ricardo (1971):Uma das personagens mais célebres do século XX. O Ricardo era um guarda-noturno ingênuo, poético e filósofo que deambulava pelas noites. Através das suas conversas e pensamentos absurdos, o SAM contornava de forma brilhante a severa censura do Estado Novo antes do 25 de Abril.


Augusto Cid
  • O Super-Mário :Durante os anos da transição democrática e do pós-25 de Abril, Cid imortalizou uma caricatura satírica do primeiro-ministro Mário Soares, retratando-o repetidamente disfarçado de Super-Homem ("Super-Mário") para criticar os seus excessos políticos e egocentrismo.

Século XXI

Luís Afonso
  • Bartoon (1993–presente): Uma das séries diárias de humor gráfico mais rigorosas da imprensa europeia. Publicada na última página do jornal Público , destaca-se pelo seu grafismo minimalista e diálogos curtos e curtos sobre a atualidade portuguesa.
  • O Homem do Paleolítico :Um personagem recorrente que Luís Afonso criou dentro da própria série Bartoon. Um homem das cavernas que, a partir do passado, faz comentários sarcásticos e extremamente atuais sobre a estupidez da sociedade moderna.
  • A Mosca (RTP/Antena 1):Série de micro-desenhos animados diários em formato áudio e animação digital onde duas moscas comentam a política nacional. [1]

António Jorge Gonçalves
  • Filho da Mãe (no suplemento Inimigo Público):Durante vários anos no século XXI, o autor assinou tiras icônicas de sátira social e política acutilante no suplemento semanal do jornal Público

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Imagens geradas pelo Gemini e pelo chatGPT de acordo com guiões de minha autoria e do Gemini
1. - Gera uma gravura que sirva para ilustrara a história e a evolução do cartoon em Portugal, combinando desenhos a preto e branco e desenhos a cores
2. - Comando para Geração de Imagem por IA (Português)
Prompt: Uma ilustração em estilo de gravura editorial, tela dividida. Do lado esquerdo, gravuras vintage detalhadas do século XIX com hachuras em preto e branco, mostrando uma artista clássica a esboçar com uma pena. Do lado direito, estilo de design gráfico moderno do século XXI com cores vibrantes e sólidas, mostrando uma artista contemporânea a desenhar num tablet digital. As duas eras fundem-se perfeitamente no centro, com linhas de tinta a transformarem-se em traços digitais coloridos. Detalhes nítidos, altamente legível, fundo branco limpo.

Estrutura do Layout (Português)
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|          SÉCULOS XIX / XX         |             SÉCULO XXI            |
|                                   |                                   |
|  * Estilo: Gravura antiga         |  * Estilo: Arte digital moderna   |
|  * Cor: Preto e branco (nanquim)  |  * Cor: Cores vivas e sólidas     |
|  * Técnica: Hachuras cruzadas     |  * Técnica: Vetores e linhas puras|
|  * Elementos: Jornais em papel,   |  * Elementos: Ecrãs, redes,       |
|    tinteiros e estúdios clássicos |    fanzines e estúdios digitais   |
|                                   |                                   |
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                                 A Transição
                        (As linhas de tinta preta transformam-se 
                          em traços digitais coloridos)
Elementos-Chave a Incluir
  • A Transição Central: O ponto intermédio onde as linhas clássicas a preto e branco se dissolvem e explodem em cores vivas para simbolizar a passagem do tempo.
  • As Silhuetas: Duas figuras femininas principais vistas de costas ou de perfil, totalmente focadas nos seus respetivos espaços de trabalho (uma com papel, outra com um ecrã).
  • A Presença da Sátira: Detalhes subtis em segundo plano ou personagens humorísticas desenhadas nos respetivos estilos de cada época.
3. - Prompt: Um retrato coletivo em estilo de cartoon editorial e caricatura satírica, reunindo figuras icónicas da cultura popular portuguesa numa antiga taberna de Lisboa. No centro, o Zé Povinho, vestido com o seu colete preto e chapéu tradicional do século XIX, faz o seu famoso gesto do "manguito" com um sorriso sarcástico, enquanto a Maria Paciência se senta ao seu lado, suspirando com resignação. Um pouco mais acima, uma figura política divertida disfarçada de super-herói de banda desenhada colorida, o "Super Mário", voa de forma trapalhona perto do teto. Numa mesa de madeira, o personagem minimalista em 2D do "Bartoon" serve uma bebida, enquanto o "Homem do Paleolítico" coça a cabeça segurando uma moca de madeira. Junto à janela, o guarda-noturno clássico "Guarda Ricardo" segura uma lanterna antiga com um olhar poético. Pousadas numa garrafa de vidro ao fundo, as duas pequenas moscas de "A Mosca" segredam uma com a outra. O estilo artístico funda texturas vintage de hachuras a tinta preta com as cores sólidas e vibrantes do design gráfico moderno. Inteligente, altamente detalhado, feições superficiais expressivas, fundo limpo, resolução 8k, cartoon editorial magistralmente composto.

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